quarta-feira, 18 de julho de 2012

Tô morrendo de medo...

  ...Mas eu fiquei morrendo de medo quando mudei de escola, mesmo a decisão sendo minha. Tinha medo de me perder no metrô. Tive medo quando fiz 18 e tinha que ser alguma coisa. Antes de todas as apresentações de dança, meu estômago borbulhava. Dos seminários da faculdade, eu tinha vontade de sair correndo. Dar a primeira volta no quarteirão dirigindo, totalmente sozinha, foi como se eu tivesse que dar uma porrada em todo meu caos. Tenho medo de gente idiota em primeiros encontros. Quando praticamente pedi demissão, fiquei com medo de me arrepender, depois fiquei com um medo de não corresponder no emprego novo, não me adaptar, de não saber, não aprender. Tive que tomar fôlego antes de saltar da tirolesa de mil metros; antes de pular de paraquedas; quando estava à beira do abismo lá no alto do Pico das Agulhas Negras. Quando olho minha vizinha, tenho medo de chegar na velhice sozinha. Quando fico de TPM, tenho medo de ficar chata pra sempre. Quando perdi o voo, eu chorei e era medo. Quando me apaixonei, eu sorri e também era medo. Qualquer coisa que me deixe de cabeça para baixo, literalmente, deixa minhas pernas bambas. 

  E mesmo assim, fui para escola; ando de metrô; escolhi design; recebi aplausos; fiz seminários; dirijo; vou a encontros; não me arrependi de ter saído do emprego e cresci muito no emprego novo; fui na tirolesa, no paraquedas e cheguei ao topo do pico... Enfim, eu bato de frente com o medo. Às vezes, ele me deixa no chão, mas na maioria das vezes, eu dou um soco na cara dele. Palmas para mim, pode colocar uma estrelinha no meu caderno de desabafos, porque eu mereço.

  Eu não gosto de ter medo (alguém aí gosta?), mas teria mais medo se não o tivesse (seria possível?). Não é dúvida, não é insegurança. Isso é outra coisa. A verdade é que agora estou com um medinho instalado no lado esquerdo do peito, me fazendo pensar na minha falta de jeito com algumas coisas (minhas). Medo de não dar conta de mim e da minha "liberdade", mesmo sabendo que eu sou extremamente capaz. Se eu estou morrendo de medo? Não. O título desse post foi só para que eu pudesse te fazer uma surpresa agora e dizer que estou vivendo de medo. Porque é um medo que não mata, faz viver. Me desafia. Me alimenta, me distrai, me faz escrever, me faz querer. E o medo só está aqui, porque eu consigo olhar bem no fundo dos olhos dele. E o querer é maior que o medo. No final das contas, o medo passa, o medo não é nada comparado ao que realmente somos.

segunda-feira, 16 de julho de 2012

Estou há alguns minutos aqui. 
Parada. 
Olhando pra tela, tentando não pensar em nenhuma possibilidade que me faça menos feliz. 
Mas felicidade existe? 
Ouvi dizer que não, que isso é coisa da nossa cabeça.
O que existe são momentos felizes. Nisso eu até acredito.

Mas o tal do "e se..." também é coisa da minha cabeça.
E agora? 

Em que momento vivo agora?
Bem agorinha, nesse exato momento? 
Não sei.

domingo, 15 de julho de 2012

No volante.

Estava dirigindo, indo almoçar com pessoas que ganhei de presente na época da faculdade. Passando em frente de um parque, o guardador de carros que fica por ali ganhando seus trocados, fez sinal para que eu parasse o carro para que outro motorista pudesse manobrar. Não parei. E foi assim o caminho inteiro. Ida e volta. Não dei passagem pra ninguém. Pode ser uma birra de domingo, mas eu simplesmente não estava a fim de deixar as pessoas entrarem na minha frente, assim, sem mais nem menos. Eu fui dirigindo e pensando que a vida é mais ou menos um trajeto que a gente tem que fazer. E quer saber? Cansei de ver as pessoas achando que basta dar um sinalzinho com as mãos, podem passar na minha frente, pegar o lugar que eu queria e ainda por cima, chegar primeiro. Eu sempre pensei: "Relaxa Tatiana, sua hora vai chegar! O que tiver que ser seu, vai ser!". Mas convenhamos que esse papinho todo é consolo, é desculpa que damos para nós mesmos quando as coisas não dão certo. Relaxada eu estou, disso você pode ter certeza, mas a minha hora... ah... a minha hora é agora. E eu não vou aceitar nada que me faça sentir que meu relógio está atrasado, que eu estou em segundo plano. Nada que me sugue a energia e depois me cuspa. Nada que me deixe culpada e depois passe a mão pela minha cabeça. Eu continuo sendo boa. Boazinha eu parei faz tempo. Eu continuo sendo gentil com o mundo lá fora. Dizem que é dando que se recebe. Mas eu cansei de sempre começar nessa brincadeira. Sempre ser aquela que cede, que entende e finge não se importar. Pois então, você quer? Me dá primeiro. Não é porque sou doce e educada na maioria das vezes, que você tem o direito de achar que tenho que ser assim o tempo inteiro. Eu não quero sua cara a tapa, porque não sou de violência. Nem do tal UFC eu gosto. Não me rendo a qualquer modinha e você sabe. Me dá a mão, um abraço, uma piada, uma companhia num dia lindo, um ato de confiança e nem precisa esperar por muito tempo a recompensa. Sempre fui a favor da reciprocidade e não é agora que será diferente, embora tanta coisa esteja mudando. Eu não quero nada complexo. Nunca quis. Perco a paciência com quem não consegue enxergar a simplicidade das coisas e com quem fica imaginando a minha vida por mim. Me deixa aprender a lidar com os fatos, porque eu estou melhorando nisso. E o fato agora é que eu não vou parar pra você passar, eu não vou me deixar pra depois. 


O amor também é isso, um trajeto, um dirigir num domingo à tarde. A gente não dá passagem pro amor porque o amor está no banco do passageiro. A gente só para o carro pro amor entrar ou ir embora. Caso contrário, se a gente parar, a gente se perde, metade do amor enfraquece. O tal do amor próprio - aquele que nos faz pulsar de verdade. E com metade do amor enfraquecido, fica difícil amar as pessoas que amamos. Tentamos dividir a outra metade nos tornando injustos com a gente mesmo o com os outros. Um amor pela metade é como andar com um fantasma no banco do passageiro. Um amor pela metade é bem pior que andar sozinho no carro, com o som alto e o coração inteiro, passando por faróis verdes, pensando que você não ta a fim de dar passagem pra ninguém que não lhe dê nada em troca. 
*
Nos dirigir é tão importante quanto o próprio destino. 
Sem caminho não existe a hora certa. A hora certa é o caminho.

quinta-feira, 12 de julho de 2012

Ando supresa comigo mesma. E isso é bom. Tenho redescoberto algumas partes minhas e sendo mais legal comigo. Minha ansiedade ainda me prega peças, mas até pra ela eu tenho sorrido um pouco mais. Pois a vida não é só classificada em problemas e soluções. Na verdade, a vida fica muito chata quando começamos a enxergá-la somente dessa maneira. A vida é e ponto. Tenho escutado minha intuição e deixado minhas pernas caminharem. Libertas in vobis (latim), como diz a frase tatuada nas minhas costas, entre meus ombros, a liberdade está dentro de você. Sim, a liberdade sempre esteve dentro de mim. Mas eu nunca soube muito bem o que fazer com ela. Como se ela fosse uma canção que eu tivesse escutado algumas vezes. Hoje tenho uma ideia melhor do que isso significa e das coisas que são realmente importantes. Aquele velho clichê de que mudanças acontecem de dentro pra fora é simplesmente verdade. Sempre foi. As pessoas nem são tão moderninhas quanto dizem ser. As coisas nem são tão novas quanto parecem. Elas sempre foram o que são e só nos resta descobrí-las. 

terça-feira, 10 de julho de 2012

O que acontece no meio
de Martha Medeiros

“Vida é o que existe entre o nascimento e a morte. O que acontece no meio é o que importa.

No meio, a gente descobre que sexo sem amor também vale a pena, mas é ginástica, não tem transcendência nenhuma. Que tudo o que faz você voltar pra casa de mãos abanando (sem uma emoção, um conhecimento, uma surpresa, uma paz, uma ideia) foi perda de tempo.

Que a primeira metade da vida é muito boa, mas da metade pro fim pode ser ainda melhor, se a gente aprendeu alguma coisa com os tropeços lá do início. Que o pensamento é uma aventura sem igual. Que é preciso abrir a nossa caixa preta de vez em quando, apesar do medo do que vamos encontrar lá dentro. Que maduro é aquele que mata no peito as vertigens e os espantos.

No meio, a gente descobre que sofremos mais com as coisas que imaginamos que estejam acontecendo do que com as que acontecem de fato. Que amar é lapidação, e não destruição. Que certos riscos compensam – o difícil é saber previamente quais. Que subir na vida é algo para se fazer sem pressa.

Que é preciso dar uma colher de chá para o acaso. Que tudo que é muito rápido pode ser bem frustrante. Que Veneza, Mykonos, Bali e Patagônia são lugares excitantes, mas que incrível mesmo é se sentir feliz dentro da própria casa. Que a vontade é quase sempre mais forte que a razão. Quase? Ora, é sempre mais forte.

No meio, a gente descobre que reconhecer um problema é o primeiro passo para resolvê-lo. Que é muito narcisista ficar se consumindo consigo próprio. Que todas as escolhas geram dúvida, todas. Que depois de lutar pelo direito de ser diferente, chega a bendita hora de se permitir a indiferença.

Que adultos se divertem mais do que os adolescentes. Que uma perda, qualquer perda, é um aperitivo da morte – mas não é a morte, que essa só acontece no fim, e ainda estamos falando do meio.

No meio, a gente descobre que precisa guardar a senha não apenas do banco e da caixa postal, mas a senha que nos revela a nós mesmos. Que passar pela vida à toa é um desperdício imperdoável. Que as mesmas coisas que nos exibem também nos escondem (escrever, por exemplo).

Que tocar na dor do outro exige delicadeza. Que ser feliz pode ser uma decisão, não apenas uma contingência. Que não é preciso se estressar tanto em busca do orgasmo, há outras coisas que também levam ao clímax: um poema, um gol, um show, um beijo.

No meio, a gente descobre que fazer a coisa certa é sempre um ato revolucionário. Que é mais produtivo agir do que reagir. Que a vida não oferece opção: ou você segue, ou você segue. Que a pior maneira de avaliar a si mesmo é se comparando com os demais. Que a verdadeira paz é aquela que nasce da verdade. E que harmonizar o que pensamos, sentimos e fazemos é um desafio que leva uma vida toda, esse meio todo.”

Texto de Martha Medeiros escrito em 11 de Dezembro de 2011 
para a Revista O Globo,  coluna Ela Disse. oglobo.globo.com

Depois de um feriado prolongado, o ânimo se mantém com a mesma sensação térmica de hoje cedo... friozinho. Vim pro trabalho como se estivesse no piloto automático. Sensação estranha. Escutei os shows completos do Nando Reis, Maria Gadú e Lulu Santos. Luz dos olhos, Quando fui chuva, Já é. Minhas preferidas. Cantarolei junto com Lulu: “Eu não sou diferente de ninguém quase todo mundo faz assim...” e a culpa foi embora. A culpa e a falta de jeito, só a preguicinha que não. Mas a gente vai driblando, levando, trabalhando... no final do dia, a gente foi. No meio da manhã, depois de me sentir um pouco acordada, eu fiquei em paz.

segunda-feira, 9 de julho de 2012

A semana passada foi regada de coisas simples e importantes, em vários aspectos. Coisas que me deixaram mais viva, como se eu abrisse uma porta e pudesse enxergar um pouco mais além. Foi também uma semana em que andei de mãos dadas com minha loucura que se preocupa tanto com o mundo lá fora. No final das contas, cálculos e pensamentos, respirei. Na verdade, tomei fôlego para ignorar julgamentos internos e externos. E hoje ouvi uma história que traduziu tanta coisa. Era mais ou menos assim:

"Era um longo caminho a percorrer. Um cavalo. Um homem e uma mulher. Os dois estavam em cima do cavalo. As pessoas começaram a dizer:
- Coitado do cavalo, quanto peso em cima dele!
O homem, então, saiu do cavalo, deixando somente a mulher. As pessoas disseram:
- Coitado do homem. Ele tem que andar enquanto a mulher usa o cavalo.
A mulher saiu de cima do cavalo e deu lugar ao homem. As pessoas cochicharam:
- Que falta de cavalheirismo. O homem no cavalo enquanto a mulher caminha.
Os dois então caminharam ao lado do cavalo. As pessoas continuaram a bochinchar:
- Que desperdício. Os dois caminhando enquanto há um cavalo para ser usado."

Se eu pudesse controlar o que as pessoas pensam sobre mim, talvez eu até controlaria, não vou negar. Mas como não posso, espero ter sabedoria suficiente para seguir meu coração - sem culpa. Espero que as pessoas que realmente me importam e se importam comigo saibam que eu posso pensar em mim e amá-las ao mesmo tempo. Que as coisas desse mundo não precisam ser divididas, que podem serem somadas, e acima de tudo, respeitadas também. Bom, eu nunca fui muito boa com cálculos, fórmulas prontas... mas deve ser por esse caminho que me indica para ir em frente, por querer e sem correr. 

"Então entre na fila
E pegue o seu lugar
E mostre o seu rosto para a manhã
Pois qualquer dia desses
Você vai nascer e crescer
E isso acontece sem você prever"
(Born and Raised - John Mayer)


terça-feira, 3 de julho de 2012

A jornada.

  Hoje eu voltei para casa com uma sensação parecida com a do dia 5 de março. Sem saber muito bem o que está acontecendo. A diferença é que agora me sinto muito mais confortável e em um estado que jamais havia alcançado. É muito gratificante ver as coisas que me propus a fazer e é gratificante também ver que nem todas elas deram certo, caso contrário, não me sentiria tão humana como agora.

  Há coisas que eu não irei escrever aqui, nem em outro lugar. Talvez nem conte para ninguém, simplesmente porque ainda não inventaram palavras pra tudo. O melhor dessa vida é sentir, mesmo que algumas vezes, isso seja um processo doloroso. Se esse processo fizer com que você se sinta alguém melhor, livre do ego, da vaidade e de julgamentos, certamente valerá a pena.

  Eu sempre fui uma pessoa de muitas perguntas. Nem sempre tenho respostas, mas acho que isso já nem me importa tanto. O que importa mesmo o que fazemos para nos encontrar no meio disso tudo.

  Essa é uma das poucas vezes das quais me recordo em que não consigo organizar muito bem meus pensamentos por aqui. Ás vezes é bom se sentir fora de ordem e aceitar o presente. Pode ser que a liberdade, aquela com "L" maiúsculo, seja parecida com isso.

  Além de tudo isso, eu fico pensando com certa frequência que, desde sábado, eu tenho cruzado pessoas das quais nunca tinha visto (e provavelmente nunca mais verei) na vida e que me fizeram rir da maneira mais gratuita possível. Eu fiquei perto delas e quando vi, não só minha boca, mas meu corpo todo sorria.

  Hoje fui presenteada com várias coisas. Uma pedrinha, um imã lindo, amendoim, um texto cheio de lembranças e um episódio pra lá de engraçado, abraços contagiantes e uma mensagem dita pra quem quisesse acolher: Que somos totalmente responsáveis por tudo ao nosso redor. Sendo assim, me sinto orgulhosa. Sinto uma enorme gratidão por tudo.

  Eu poderia ter colocado o título dessa mensagem de "Diário do Palhaço..." como fiz algumas vezes ao decorrer da Oficina de Clown da qual participei e me levou a escrever alguns posts. Porém, o palhaço/clown é um exercício diário. E apesar de hoje ter sido a última aula da Oficina, esse tal exercício não tem fim. Só acaba quando o coração para e ainda sim, sei lá se acaba. 

  E o nosso diário, cheio de planos e horários chega a ser muito ridículo diante da grandiosidade do nosso ser - tão lindo por inteiro, incluindo todas as imperfeições possíveis. Até quem não se acha engraçado, é. Até quem não leva jeito, é. Sorte de quem descobre isso a tempo de aproveitar, e brincar, e ser... SER!

"A vida é maravilhosa, quando não se tem medo dela"
Charles Chaplin



Ai ai ai
Está chegando a hora 
de ir embora, meu bem
e ser palhaço lá fora...

domingo, 1 de julho de 2012

Sobre tudo. 

  Achei que iria acordar depois do meio dia, mas acho que estou perdendo o costume de dormir tanto. Acordei as 10h, fui pra sala. Tem um primo meu dormindo no sofá. Liguei a tv baixinho e comecei a ver um seriado que estava passando na tv: 2 Broke Girl$. Adoro o senso de humor da atriz Kat Dennings como Max Black, apesar das pouquíssimas vezes que assisti à série. Ela está sempre procurando por alguma solução, mas sempre se mantendo fiel a si mesma - parece até alguém que eu conheço. 

  A série acabou e eu não encontrei nada melhor pra assistir. Almocei. Vim pra internet. Nada de muito novo aos domingos, quase sempre é assim. Hoje, minha programação só tem hora marcada para depois das 16h. Ainda são quase 13hs e eu já estou entendiada. Ontem o Ricardo me falou que a geração Y reclama de tudo, mas eu nem acho que reclamo taaanto assim vai rs. Eu só estou entediada, porque nem sempre a gente sabe apreciar o ócio. Nem sempre.

  Essa semana foi movimentada e me deixou mal acostumada. Sexta revi amigos da época da faculdade com direito à pizza. Sábado trabalhei, comprei uma cor nova de sombra e de noite fui para a sketcheria, um encontro do pessoal do Clube do Designer. Até aprendi a rascunhar um rosto e um elefantinho de duas patas rs. Também ganhei um desenho. Sem contar que gravei mais um vídeo para o clube. Pois é, inventaram que eu sou a âncora do clube e como eu resolvi dizer menos não para vida, eu aceitei.



  Aceitei porque de algum modo liguei o "foda-se!". Isso até parece contraditório. Impressão sua, porque agora a minha imagem é em alta definição. Meu ao vivo, em HD e não me importa muito se um defeito ou outro aparecer. Foda-se. 

  Ontem também tive algumas conversas que me fizeram pensar no que eu realmente quero pra minha vida. E a moral da história é que a gente tem que fazer algo que nos dê prazer, mas também ser valorizada por isso, caso contrário, a gente broxa. E ninguém quer passar o resto da vida fazendo algo sem tesão e sem dinehiro, não é mesmo? Trabalho é trabalho, hobby é hobby. Ainda vamos falar mais sobre isso.

  São 13h29 e meu tédio está passando. Escrever é sempre bom pra mim. Um verbo que, na maioria das vezes, eu sempre conjugo no presente. Sempre me peguei escrevendo. Bilhete, bobagem, desabafo, crônica, poesia, qualquer coisa. Nunca me trouxe nada negativo, pelo contrário:

  • Uma história publicada no jornalzinho da escola, na primeira série; 
  • Primeiro lugar no concurso de redação por volta da oitava série; 
  • Publicação de uma poesia no I Prêmio Literário Canon de Poesia 2008; 
  • Uma média de 1000 visualizações por ano no meu blog pessoal (este aqui por sinal), segundo às estatísticas dele; 
  • Encontrar uma pessoa que você não vê faz tempo e ouvir "Ainda tenho uma cartinha que você  escreveu pra mim na escola!"
  • 2 colunas sobre design e comportamento na revista Leaf (Edição 00 - pag 31)(Edição 01 - pp 90, 91, 92); 
  • 29 postagens no Clube do Designer, entre eles, o post "Ta com medo de que?" com 32 comentários e 356 exibições, e um vídeo com 204 visualizações em uma semana (O vídeo não foi escrito, mas foi uma consequência das coisas citadas acima). 

Eu nunca vi o "meu verbo escrever" como uma solução. Foi sempre uma reação, uma inspiração, uma maneira de acertar meu ritmo. Sobretudo, um modo que me fez chegar até aqui.



O tédio vira palavra.
Nós damos a nossa palavra ao mundo. 
Falamos sobre tudo.
No final das contas, palavras se transformam em histórias.
Se as histórias não te fizerem sentir, de alguma forma;
as histórias voltam a ser um tédio, você vira a vida e encontra uma página em branco.


Ps: 15hs - fim de tédio!
*

quinta-feira, 28 de junho de 2012

Opinando

Sabe, tem dias que você só quer dizer alguma coisa para alguém e ouvir "Poxa, que legal isso! Aposto que você vai se dar bem". Ás vezes, você só quer que alguém aposte em você. Você conta sobre suas jogadas de maneira empolgada e, de repente, tem a sensação de que o que fez não foi suficiente. Você nem teve tempo de aproveitar a última novidade e já escuta uma opinião. Nós esperamos que as pessoas mais próximas confiem mais em nós e acreditem que nós sabemos o que estamos fazendo, mesmo quando não sabemos. Nós esperamos também que elas não nos deixem afundar. Acho que podemos contar com elas, mas será que elas possuem o direito de querer tanto que ganhemos o jogo? Ás vezes, eu só quero brincar. Eu só quero me divertir com a brincadeira. Me incomoda quando alguém me dá dicas de como devo me divertir. Mas eu perdoo, porque deve ser muito difícil saber o que eu estou planejando com isso tudo. Ás vezes, eu nem quero planejar. Eu também dou opiniões nas coisas dos outros, acho que é uma atitude normal do ser humano. Eu recebo opiniões e ás vezes me pego pensando nisso. O problema não é a opinião em si, pois elas serão sempre bem vindas (mesmo que eu faça cara feia) mas sim, quando não me sinto livre com elas. Talvez isso seja um problema apenas meu.

quarta-feira, 20 de junho de 2012

Com sede.

O caminho de volta foi preenchido de pensamentos que transitavam entre uma página e outra de um livro que estou lendo. Um livro que o Caio ainda não leu, me emprestou sem que eu pedisse e que estou adorando. Mas do livro eu vou falar em outra hora. Na verdade, nem sei muito o que quero falar, porque ando consumindo palavras alheias. As minhas palavras não sei onde estão, nem sei se um dia eu soube. Leio um texto aqui, uma frase ali e pego todas para mim. Digo "É isso!" e as tomo, como se fossem xarope. Tudo desce seco pela garganta e tenho a esperança de que minha sede vai passar. Não passa. O homem com quem esbarrei, sem querer, com a mochila passa. A chuva, o trem, a pomba no telhado também passam. O horário do almoço, aquela conversa e o abraço passam, passam, passam... voam. Nada fica, ou fica. A sede. E minha conexão não se conecta com nada. Eu tenho minhas teorias, dou uma de forte e esperta, discuto as coisas da vida... Mas ai eu olho pra mim e digo: "Filha, você é um exagero de sensibilidade que se emociona com os programas do canal GNT! E quer saber? O mundo nem precisa disso". É isso, ou quase, ou não. A sede. Não há água que resolva, nem as gotas de floral para o reequilíbrio dos chakras. Então, eu começo a pensar nas injustiças do mundo, nas minhas injustiças e nas causas pelas quais batalho, meio cansada. Não penso mais em nada. Volto para as páginas do livro - o que é bem menos dolorido. Finjo não pensar mais na sede.


domingo, 17 de junho de 2012

Um coração no caminho.

Acho que foi uma boa semana... Apesar do dia que eu acordei quietinha, sem muitas palavras e sem saber exatamente o motivo. Comecei a pensar no presente e futuro, fiquei confusa, com um pouco de medo, na dúvida, mas depois voltei ao "normal" onde continuo sentindo um pouco de tudo isso, minimizado, na medida certa. Porque, afinal, precisamos também do nosso "lado B" para sobreviver.
Ando meio sem inspiração para escrever coisas sobre mim, acho que estou aprendendo a me expressar melhor de outras maneiras. Isso é bom. Estou tentando achar caminho no coração e coração no caminho, por isso vou deixar que as palavras de Carlos Castañeda falem por mim:

“… Tudo é um entre um milhão de caminhos. Portanto, você deve sempre manter em mente que um caminho não é mais do que um caminho; se achar que não deve seguí-lo, não deve permanecer nele, sob nenhuma circunstância. Para ter uma clareza dessas, é preciso levar uma vida disciplinada. Só então você saberá que qualquer caminho não passa de um caminho, e não há afronta, para si nem para os outros, em largá-lo se é isso que o seu coração lhe manda fazer.
Mas sua decisão de continuar no caminho ou largá-lo deve ser isenta de medo e de ambição. Eu lhe aviso. Olhe bem para cada caminho, e com propósito. Experimente-o tantas vezes quanto achar necessário. Depois, pergunte-se, e só a si, uma coisa. Essa pergunta é uma que só os muito velhos fazem. Dir-lhe-ei qual é: esse caminho tem coração?
Todos os caminhos são os mesmos; não conduzem a lugar algum. São caminhos que atravessam o mato, ou que entram no mato. Em minha vida posso dizer que já passei por caminhos compridos, mas não estou em lugar algum. A pergunta de meu benfeitor agora tem um significado. Esse caminho tem um coração? Se tiver, o caminho é bom; se não tiver, não presta. Ambos os caminhos não conduzem a parte alguma; mas um tem coração e o outro não. Um torna a viagem alegre; enquanto você o seguir, será um com ele. O outro o fará maldizer a sua vida. Um o torna forte, o outro o enfraquece.”

*

quarta-feira, 6 de junho de 2012

Para você... que me acha diferente.

  Faz quase um mês que a gente não se encontra e hoje pensei tanto em você... Queria te falar que quase não te reconheci da última vez que nos vimos, apesar dessa sensação não ser de agora. Queria te falar, mas de algum modo acabei desistindo de você e acho estranho quando você diz que sou diferente. Na verdade, acho até meio arrogante, porque quando você diz isso parece que o mundo inteiro vive do mesmo modo que você. Eu não sei o que é ser diferente, eu só tento ser eu mesma. 

  Quando você disse que eu era diferente porque iria comemorar meu aniversário num barzinho de karaokê, eu realmente não entendi sendo que o bar vive, com reservas esgotadas, cheio de gente querendo comemorar alguma coisa lá. Você disse que ser diferente é bom, mas sei lá se eu entendi.

  Quando você disse que está frequentando uma academia de rico, eu também não entendi, porque ser academia de rico ou de qualquer outro status não faz a menor diferença pra mim, nunca fez e eu te elogiaria da mesma maneira. Mas quando você disse que queria me ver antes, mas estava sem tempo, eu não acreditei. Do mesmo modo que não acreditei quando você disse que iria ao meu aniversário, quando você disse que iria me pagar, que iria devolver  logo o livro que você mesma me deu de presente, enfim... E na última vez que nos vimos, eu percebi que eu até acredito em você, acredito que você pode mudar o mundo se você quiser, mas não acredito em quase nada do que você me diz. Não é pela data, pelo dinheiro ou pelo livro, é apenas pela palavra.

  Algumas coisas mudam e outras não. A gente não tem que ser perfeito, "bonitinha" o tempo todo ou fazer coisas só pra agradar as pessoas, mas temos que tomar cuidado pra não começar a viver uma história onde só nós existimos e assim, deixar as pessoas que gostamos fora de nossas vidas. Esses dias vi uma entrevista onde o cara disse uma coisa que eu adorei. Era mais ou menos assim: "As pessoas querem ganhar e se esquecem do jogo. Antes eu vivia para isso, hoje eu só fico daqui, observando e pensando 'Deixe as pessoas pensarem que podem ganhar o jogo'. No final das contas, o jogo ganha de você". Então eu descobri que havia saído do jogo,  que estou do lado de fora, fazendo outras coisas e é triste dizer que acho estranho você, que conheço desde a sexta série, me chamar de amiga... Coisa que, com o tempo, deixou de ser exercida e passou a ser apenas força do hábito.

sábado, 2 de junho de 2012

  Aonde eu estava com a cabeça?

  Eu não sei porque eu tive essa ideia maluca. Por que eu resolvi me desafiar, me colocar a cara tapa assim. Agora estou com um buraco no estômago e não sei o que fazer. Sinto que o efeito das gotas de floral são apenas temporárias. Começo a achar que ninguém vai rir ou que todos vão rir. Queria ter o poder de não achar, nada, ninguém, qualquer coisa e muito menos tentar adivinhar pensamentos alheios. 

  Aonde eu estava com a cabeça, me diz? Nem nome eu tenho. Na verdade, só tenho um e nesse caso, ele não serve. Tatiana é pra brincar de ser normal. Preciso de um nome pra minha loucura. O que eu tenho afinal? Agora, eu e a imagem do espelho... Duas pessoas mais teimosas que o buraco no estômago. 

  Já é mais de uma da manhã e amanhã tenho que acordar cedo para arrumar as coisas, sair e passar o dia meio ensonada. Quase não vejo mais sentido em sair, em jogar e vencer o desafio por causa do sono - de agora e de amanhã. Quase não vejo mais sentido em tudo isso. Quanta bobagem que eu inventei pra mim!

quarta-feira, 30 de maio de 2012



"Brigar pra quê se é sem querer. Quem é que vai nos proteger? 
Será que vamos ter que responder pelos erros a mais, eu e você?"
(Será - Legião Urbana)

  
  Hoje eu quero falar sobre generosidade. É estranho como essa é uma palavra pouco dita em nosso dia a dia. Pouco exercida também diante do que poderíamos. Ontem, eu escutei “isso é ser generoso” e achei bonito. Generosidade é dois, é presente, é sensibilidade, é percepção, é doação, é tanta coisa e também é difícil definir, mas a generosidade nunca joga sozinha. 

  Descobri que não sou muito generosa. Pois é, eu até achava que era, mas eu me confundi. Sou sensível e tenho uma boa percepção - o que também faz parte - mas generosidade é isso e mais um pouco. Um pouco fundamental.

  Eu sou um, sempre me estressei com trabalhos em grupo desde a infância. Sou mais futuro que presente, ás vezes, deixando passar as coisas de agora. Por esses motivos, me doar não é tão fácil, consequentemente, ser generosa também não.

  Descobri ontem na oficina de clown. Era um exercício de improvisação. Uma batalha nada séria entre nós guerreiros. O guerreiro me batia com uma guitarra imaginária e eu não caía, pode isso? Eu não queria cair, eu não queria morrer, eu queria tentar ser engraçada. Então, eu ficava pensando numa forma de tentar virar o jogo ao invés de ser generosa com a cena, com meu parceiro e com o público. Eu não tinha que necessariamente ser engraçada, eu tinha que colaborar para que a cena fosse. Tudo que eu tinha que fazer naquele momento era ser generosa.

  Quando eu falo que ser palhaço não é tão simples, é porque muitas vezes é difícil abrir mão do ego e apenas ser generoso.

  No começo do texto eu disse que a generosidade é pouco exercida diante do que poderíamos. É verdade. Pois isso não é só coisa de palhaço. É coisa de todo mundo. É dar passagem pra facilitar o trânsito, ficar ao lado direito da escada rolante, é colocar gelo na forminha quando está no fim, é dividir as quatro bolachas do pacote, é valorizar o trabalho alheio e assim por diante e um pouco mais que isso.



beijos mágicos e generosos.