quarta-feira, 27 de abril de 2011

Somar.

Não me mande fazer contas, odeio matemática,
mas acho que na vida, somar é fundamental.

Desde ontem tenho vontade de escrever um texto aqui no blog, mas não sei bem o que escrever. Quando a gente tá triste é mais fácil. Tem um foco e vai fundo na emoção. Escreve palavras para que elas não rasguem nossa pele. E eu não estou triste. Não mesmo. Minha vida não é perfeita, liguei o "piloto automático" no trabalho, o saldo da minha conta bancária não está nos seus melhores momentos e sempre tem alguma coisa pra gente "aturar". Mas existe coisas bem maiores que isso. Aquelas que nos fazem sorrir ao final do dia e agradecer antes de dormir. Dizer que estou feliz parece injusto, afinal, apesar dos imprevistos e improvisos, feliz eu sempre fui (talvez seja por isso que felicidade se vive mais do que se escreve). Acontece que, com o passar do tempo, nós temos o "poder" de adicionar coisas a nossa felicidade. Adicionamos momentos, pessoas, manias, paixões, e por aí vai. Compartilhamos. De repente a gente percebe que ser feliz é fácil, amar é fácil, sorrir mais fácil ainda e que o que nos limita é uma coisa chamada medo. Uma vez eu li ou ouvi - não lembro direito - que medo é bom, ruim é medo de ter medo. Concordo. Eu tenho um medinho, lá no fundo do peito, de não arrumar o emprego que tanto quero, de não conseguir juntar dinheiro pra fazer a viagem dos meus sonhos, de descobrir que bati com a cara no chão, que estava bom demais, que não era nada daquilo, que acreditei, que amei sozinha... Medo eu tenho e muitos. Mas prefiro tratá-los com insignificância (Afinal, é assim que merecem ser tratadas as coisas que não nos deixam ir mais longe) e não negar a felicidade.  Prefiro prestar atenção na intuição do que ao medo. Vale mais a pena, acredite. A vida sempre me deu sinais de que minha intuição é forte (meu santo também! rs). A gente pode até se enganar, ás vezes, mas a vida não engana a gente. Ela coloca alí, bem na nossa frente, as causas das quais temos que abraçar, as coisas pelas quais temos que lutar, pessoas para aprendermos a amar, e situações que temos que passar para crescer. "Eu fico com a pureza da resposta das crianças: É a vida, é bonita e é bonita..."

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segunda-feira, 18 de abril de 2011

  O equilíbrio

  A menos que esteja escrito na embalagem ou você tenha um super dom de saber o peso exato das coisas, fica difícil balancear as situações na nossa vida, para não tombarmos demais para um lado ou para o outro. Se a situação ainda for algo novo, vixe, haja intuição, flexibilidade e postura!



"Eu queria era dizer diferente
Aquilo que todo mundo sente
Mas não consegue expressar

Meu trapézio balançando lento
Preso bem lá no firmamento
E eu tentando me equilibrar"
(Trapézio - Pitty)



  E tratando-se de algo novo, não me culpo se descobrir o equilíbrio por ter perdido um pouco dele - momentaneamente. Afinal, é preciso conhecer o peso do oposto para saber de quanto precisamos para balancear nossa vida. É preciso de conhecer a si mesmo, respirar fundo e achar o ponto de equilíbrio para andar na corda bamba. Equilíbrio, em alguns casos, também exige movimento.



"Viver é como andar de bicicleta:
É preciso estar em constante movimento
para manter o equilíbrio."
(Albert Einstein)


   O ponto de encontro entre a razão e a emoção. O ponto de encontro. O ponto. O essencial. É disso que precisamos para ficarmos a salvos, sem risco de se espatifar no chão? Riscos não acabam - pelo menos não enquanto nosso coração bater. Viver é um risco, existir nem tanto. E quando éramos pequenos, nós arriscávamos mais - com menos medo. Éramos mais desequilibrados (vai dizer que não?). Mas precisávamos ser assim para sermos crianças. Hoje em dia, com quase 21, a vida me exige outras coisas e nós, nos transformamos em outras coisas... com um emprego, responsabilidades, amigos e paixões. Não dá para, simplesmente, largar tudo e ver sessão da tarde no sofá. Hoje, precisamos de tudo que fomos, somos e até as coisas que negamos ser para nos equilibrar. Pra chegar no final do dia e dizer: eu dou conta! É preciso equilibrio minha gente, muito equilibrio para encaixar a nossa felicidade dentro do bom senso. Para aprender com o novo, fazer escolhas e ir atrás de tudo que ainda nos falta.

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segunda-feira, 11 de abril de 2011

Os olhos.

Meu Deus! Aquela música a Zélia Duncan era verdade! "Se você não se distrai, o amor não chega /A sua música não toca/ O acaso vira espera e sufoca/ A alegria vira ansiedade/ E quebra o encanto doce/ De te surpreender de verdade". Eu me distrai e ele chegou - tão de repente. Foi entrando e se apresentando pela porta que estava aberta. Eu não tive tempo de ter insônia, medo, nem ansiedade - quase nem me reconheci. Ele não reclamou da distância, dô ônibus que teve que pegar de madrugada, do horário, de me buscar só para um almoço rápido, de andar pela rua escura vindo ao meu encontro... Ele apenas diz que quer me ver e reclama da saudade. (Ai se todas as reclamações do mundo fossem assim!). Eu me distrai e ele estava alí, me abrigando em seus braços, me ligando pela manhã, me chamando de amor, lendo meus textos (sim, ele lê meus textos!). Eu até achei que era demais, que isso ia passar, que não passava de algumas estratégias para mais uma conquista. Quando ele me viu pela primeira vez, mal sabia ele que eu estava desacreditada de uma coisa chamada "Reciprocidade". Mas depois dele, eu voltei a usar essa palavra. Com ele nunca teve jogo, competição, nem placares. (Quer coisa mais chata que ouvir "Você ganhou uns pontos comigo!"?. Pra mim, isso é frase de professora corrigindo prova). Quando acordei,  tudo ainda estava lá, tão bom, do jeito que eu sempre quis. E a gente é aquele trechinho da música que ele me enviou "Te chamo de linda /Cê me chama de lindo/ A gente brinda/ A vida segue seguindo". Não importa se a bateria do celular acabou, se acabou também a grana no fim do mês, se o carro ainda não saiu, se ele tem que trabalhar, ou se não gosta de música internacional... Nada disso importa, porque eu tenho aqueles olhinhos diante dos meus (pelo menos aos fins de semana), me fazendo enxergar ao vivo e em cores - todas as cores do mundo. Ele não esconde palavras e a mão dele deslizando no meu cabelo já diz muita coisa.

sexta-feira, 8 de abril de 2011

As nossas conversas.

   Em casa tenho o Yang Yong. Estou falando de uma mãe que não "apenas" fala, mas dá palestra na maioria das vezes que resolve dialogar (quase a todo momento? rs). Meu pai é mais reservado, mais concentrado eu diria. Não gosta de falar de trabalho na hora do descanso e do laser. Ele tenta assistir ao SPTV e Globo Esporte na hora do almoço enquanto minha mãe tenta contar alguma coisa. Moral da história: Lá em casa, todo mundo faz tudo ao mesmo tempo: almoça, vê tv e fala. É um Yang Yong meio desiquilibrado, eu sei, mas quem é equilibrado quando se trata de família, hein? Falamos alto; Gritamos pra pedir que o irmão abaixo o som que está ouvindo enquanto toma banho no quarto; Reclamamos do outro que reclama demais; Damos risadas juntos de coisas engraçadas ou idiotas e assim por diante. A convivência é uma grande conversa. Diálogos intermináveis onde somos eternos aprendizes na arte de escutar e falar.

   Não sei se sou mais concentrada como meu pai ou falo muito como minha mãe. Acho que sou um pouco de cada. Depende da compahia, da situação, do nível de sono e do meu humor (que varia um poquinho na tpm rs)... Mas uma coisa eu te digo: eu admiro conversas. Sinto falta de conversar com gente que não vejo há algum tempo como amigas da época do colégio, o Ricardo lá de Sorocaba, a Luciana da faculdade... Dou risada quando lembro de diálogos recentes e aparentemente bobos, mas com conteúdos que não caberiam em frasco algum. Há também as pessoas que cruzamos por aí em calçadas, aeroportos, ônibus e que vão embora nos deixando uma sensação boa depois de uma troca de frases, comentários, opiniões e novidades. 

   Ultimamente tenho sido conquistada facilmente por boas conversas. Eu que nem gostava de falar ao telefone, ás vezes me pego ligando para alguém atrás de uma "poesia" simples. É tudo que eu quero agora. Nada de promessas, cobranças e muitas lamentações. Eu quero ouvir sua voz e as histórias da sua infância, tentar desvendar a liberdade (esse assunto sempre rende!), quero que me conte sobre suas viagens e seus planos, quero que cante uma música comigo desafinadamente, quero te contar de algo que me lembrou você, quero te desejar um bom dia (e quero que você realmente tenha um), quero comentar sobre o doido que emite barulhos estranhos no curso, quero ser sincera quando você me pergunta se eu estou bem, quero saber de quase todas as vezes que você se lembra de mim. Eu quero a paz de todas as palavras que compartilhamos e ainda iremos compartilhar.

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terça-feira, 5 de abril de 2011

Bons tempos.

"Sou fera, sou bicho, sou anjo e sou mulher
Sou minha mãe e minha filha,
Minha irmã, minha menina
Mas sou minha, só minha e não de quem quiser"
(1º de julho - Cássia Eller)

É meus caros... parece que chegou minha vez. Ultimamente meu coração está batendo mais forte. Esse louco, ansioso e bom coração. Sim, ele bate mais forte por algo que julgo muito importante: eu mesma! (Egoísmo? Dessa vez, não). Pode parecer papo furado, mas também não é. Estou aprendendo que só dessa maneira conseguimos atrair pessoas importantes (imperfeitas assim como nós, mas com tantas qualidades bonitas). E é me valorizando que eu aprendi a valorizar as pessoas ao meu redor, e aquelas que, de uma hora pra outra, surgem pra nos estampar um sorriso no rosto e exercer a reciprocidade. Quem me ouviu falar que esse ano seria diferente - se observar um pouquinho - já pode ver os resultados. Talvez eu nem tenha mudado tanto assim, acho que simplesmente passei a saber mais quem sou, o que quero e não quero - assim fica mais fácil tomar um rumo na vida. (In)Felizmente tenho que deixar para trás as roupas que só pesam na mochila e que, na verdade, eu nunca usarei. Mas é desse modo que surgem espaços para vestirmos outras camisas, outras causas e outros sentimentos. Pode parecer outro clichê, mas é mesmo questão de se permitir, de não esperar que a felicidade caia do céu. Ela não cai, não mesmo! É uma questão de opinião também. Não tentarei te convencer a nada (realmente acho que não tenho que provar nada pra ninguém). Assim, eu vou vivendo nessa nova versão de mim mesma - sem culpas e fugas (eu não pretendo fugir mesmo com medo de parecer demais). Estou numa nova temporada desse seriado sem fim. O que está acontecendo? Não me faça explicar. Deixe-me apenas sentir que é tudo real, que eu posso tocar cada palavra e sorrir enquanto você as lê no meu ouvido - e isso me basta.

"Oh and I'm on my way to believing..."
(The Only Exception - Paramore)
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sexta-feira, 1 de abril de 2011

A LOUCURA - Parte II

"Enquanto você
Se esforça pra ser
Um sujeito normal
E fazer tudo igual...
Eu do meu lado
Aprendendo a ser louco
Maluco total
Na loucura real..."
(Maluco Beleza - Raul Seixas)

     Ás 8:00am, no metrô Barra Funda eu vi o Raul Seixas. Okay, não era ele, mas sem dúvidas uma versão do 'maluco beleza'. Um tiozinho com uma faixa vermelha na cabeça, de short e camiseta velhos, com os pés descalços, sentado e cantando (não me pergunte o que!). SEM PEDIR NADA EM TROCA. Eu aposto que no meio do caos do horário de pico, ele era uma pessoa feliz alí, pelo menos naquele momento, porque ele me fez rir. Sabe o que é isso? A vida mostrando que a rotina ainda pode me surpreender.


    Me recordo de ter encontrado algumas pessoas do tipo pela vida... Na faculdade, tinha um cara que andava com fones de ouvido e cantava em japonês (muito alto e de olhos fechados - pra vc ter noção da intensidade do negócio rs) em qualquer lugar que estivesse. Qual era a reação das pessoas? O riso - quando não, gargalhadas. Eu mesma já tive uma crise de riso com ele.

   Dos cinco dias que passei em Nova York, encontrei umas três vezes no metrô pessoas cantando - mais uma vez, atraiando olhares e risos no canto da boca de quem também está alí esperando o trem. E agora eu te pergunto: Eles são malucos? Ou malucos somos nós que nos restringimos a cantar no chuveiro ou num karaokê em festinha de família? (E ainda sentimos uma pitadinha de vergonha enquanto fazemos isso).

   Certa vez, li em algum lugar que somos o que transmitimos. Se os ditos malucos são capazes de nos despertar o riso logo cedo, acredito que eles também podem mudar o mundo. (Loucura minha?)


Ps: Tem um maluco bem legal no American Idol 2011 - Casey Abrams. Foi o primeiro a cantar Nirvana no programa ;)

Minha torcida é pra ele e para todos os outros malucos que deixam o dia das pessoas mais coloridos!




Ps: Pra quem ainda não leu A LOUCURA (parte I) aqui no blog, segue o link:
Coinciência ou não, A LOUCURA I foi escrita dia 1 de março, e a LOUCURA II dia 1 de abril! (Louco, não? rs)



"Estamos meu bem por um triz pro dia nascer feliz
O mundo acordar e a gente dormir, dormir
Pro dia nascer feliz
Essa é a vida que eu quis"
(Pro dia nascer feliz - Cazuza)



quarta-feira, 30 de março de 2011

No caminho.


Tudo começou com o controle remoto. Estava de férias e procurava algo descente para assistir na televisão. Resolvi deixar no canal Multishow que, no momento, transmitia “No Caminho”. Um programa que mostra Susanna Queiroz viajando por lugares “místicos” e fora do roteiro turístico da maioria, como Vietnã, Índia, Bangladesh, Butão... Entre tantas informações novas sobre tantas culturas diferentes, o que me chamou mais atenção foram às explicações dela sobre o Budismo. Na verdade, não eram exatamente explicações, mas como vocês sabem, uma imagem vale mais que mil palavras.


Então comecei a pesquisar sobre essa filosofia, foi quando encontrei a seguinte frase do Buda: “Onde quer que viva esse é o teu templo, se o tratar como o tal.”. Foi amor a primeira vista. (Sim, me apaixono por frases e não há quem dê jeito nisso!). E por uma simples frase eu entendi. Não entendi tudo, porque há certas coisas nessa vida que não se explicam. Mas entendi um pouco do que representa o Budismo; Entendi mais das sensações (muito boas por sinal!) que tive quando passei três meses e meio ‘sozinha’ (nós nunca estamos sozinhos!) em Nebraska; Entendi porque, ás vezes, não damos valor em tudo que somos (o templo do outro, ás vezes parece mais bonito, não é mesmo?) e entendi exatamente do que se trata aquele filme “Comer, Rezar e Amar” (para quem ainda não viu, recomendo!).


E você deve estar se perguntando aonde eu quero chegar com essa ladainha toda... Sabe o que é? Hoje eu acordei de saco cheio, sem paciência, sem inspiração, até com vontade de me demitir e ir pra Bali andar pela cidade de bicicleta ou num elefante (ai se eu pudesse, ai se meu dinheiro desse...). São essas crises de insatisfação que nos fazem ir para frente e alcançar coisas melhores, eu sei. Por isso, hoje, a cada momento que penso em reclamar de tudo que tenho, estou respirando fundo a fim de respeitar meu templo (e também meu tempo).


Para terminar... Insatisfação não é tão ruim – se você fizer algo a respeito. Não gostou de um projeto, de uma cor, de um traço? Mude. Não gostou da música? Troque de estação. Está desmotivado com o emprego? Comece a procurar outro (é o que eu estou fazendo!). Está sem ideias, pare de procurá-las loucamente. Peço desculpas se essa postagem ficou muito “auto-ajuda”, mas hoje esse texto foi minha maneira de começar a fazer “aquela” faxina no meu templo.



Dicas:
- Fotos, vídeos e mais sobre o programa "No Caminho": clique aqui
- Documentário sobre a vida de Buda: clique aqui para acessar os links

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terça-feira, 29 de março de 2011

Soldados.

Criamos um mito para esconder nossos medos
Até onde você iria para salvar seus sonhos?
Dizemos adeus para não revelar nossos desejos
Mas você jogaria todos seus segredos ao vento?
Até que você veja. Até que você queime. Até que você minta.
Até que você não resista mais, você ficará em paz.
Aqui estamos nós procurando sinais,
mas não há nada até que estejamos aqui.
Talvez devessemos criar nossa própria religião.
Porque eu não sou um santo - e nem você, meu amigo.
Lutar é a única forma que temos de sentir,
então, mais uma vez, começaremos uma guerra.
Você já quis estar no céu e no inferno ao mesmo tempo?
Aqui estamos nós.
Todos os dias pessoas morrem - mas elas continuam respirando
Todos os dias pessoas vivem - apenas em nossas memórias
Então nós continuamos lutando.
Contra todas as promessas sujas de amor.
Eu não irei me render, eu irei atacar, então fuja.
Corra. Antes que eu te torture pelos seus pecados.
(Até que você veja. Até que você queime. Até que você minta.)
Dentro de um enorme furacão
você tem que procurar e destruir os inimigos que habitam em você
Pois nem 1000 sóis seriam capazes de livrá-los de todo mal
E é tão perto do limite que você enxerga sua glória
Então nós continuamos lutando
Para não nos tornarmos vítimas de nós mesmos.
Então nós continuamos lutando!


- PS: Texto inspirado no show do 30 Seconds to Mars que tive o prazer de assistir no último domingo, dia 27/03: Uma das melhores "guerras" desse ano. =)

"Não vou sofrer, nem ser violado, ficar
cansado ou desgastado
Me render a nada, vou desistir do que eu
Comecei e acabar com isso, do fim ao início
Um novo dia está vindo, e finalmente estou livre!"
(Attack - 30 Seconds to Mars)

terça-feira, 22 de março de 2011

Quando a gente se distrai.
 
"Sabe o que é estranho? Dia após dia nada parece mudar, mas quando nos damos conta tudo está completamente diferente". (Calvin)
 
Cada dia uma novidade. Boas ou ruins, novidades alimentam a alma. Chega a hora do almoço. O telefone toca e a gente se vê, assim, de repente, ao vivo. A gente passa aquele pouco tempo - longe do trabalho -sentados no banco da praça com a luz do sol aquecendo a pele, como se vivêssemos numa cidadezinha do interior construida no meio de prédios bonitos. Parece que você veio de longe, d'uma entrevista de emprego lá de não sei onde, mas fez questão de vir e nem reclamou de subir uns quinze minutos andando do metrô até o lugar que fosse melhor pra mim. E até agora você só se pergunta o que é melhor pra mim, o que eu mais gosto, o que me faz feliz... Ás vezes, eu até acho que você tem pensado em mim, até mais do que eu faço ultimamente. Quando me distraio - e eu tenho andado tão distraída - você manda um sinal (viva a tecnologia). Até que nossas conversas são boas, o breve silêncio é bom, a surpresa então... Eu apenas me sinto bem comigo mesma e você percebe. Você repara que eu gosto de ser valorizada (quem não gosta?). Você repara em vários detalhes que eu nem tinha me dado conta. E você distrai meus pensamentos confusos, o peso de palavras que ainda carrego comigo e pontos de interregoção que ainda estão dentro da bolsa. Quer levar tudo isso? Quer me levar com você? Então leva... nem que seja apenas na hora o almoço de um dia qualquer - pra gente brincar de um dia de cada vez. Você só pede uma coisa em troca: para eu não te esquecer, pra ligar, mandar sms. Foi a "cobrança" mais bonita que ouvi esse ano. Mas eu não prometo nada. Promessas, por enquanto, só faço pra São Longuinho quando quero encontrar alguma coisa. Mesmo assim eu fico grata pelo muito que você fez caber dentro do agora

"O acoso vai me proteger enquanto eu andar distraída" (Epitáfio - Titãns)

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domingo, 20 de março de 2011

Cigana.

"Caminhar fica tão chato quando se aprende a voar
(...) Não confessarei todos os meus pecados.
Você pode apostar que eu tentarei,
mas nem sempre se pode vencer"
(Gypsy - Shakira)

Ontem fui ao show da Shakira, mas isso eu conto outro dia. De repente, no meio de uma canção passou um filme de quase uma vida inteira na minha cabeça. Vi 20 anos divididos em duas partes. Uma menina e uma mulher. E se você quer saber... prefiro agora que eu tenho mais certeza de quem sou. Eu poderia até dizer que perto dos meus 17 anos a Shakira me modificou, mas acho que somos nós os únicos responsáveis pelas modificações que acontecem na nossa vida. Talvez ela tenha sido apenas um ponto de passagem, uma inspiração ou até uma identificação que me abriu os olhos, me fez enxergar o sol. Ontem eu me lembrei do dia que aluguei o dvd do show da Shakira e descobri que poderia ser tão mulher quanto ela. Chega a ser engraçado e parece bobagem, eu sei. Eu me lembrei da minha primeira aula de dança do ventre, de toda a timidez. Meu corpo começou a se mexer e eu sabia que poderia controlá-lo e simplesmente seguir a música sem pensar em nada. Quando eu me mexo, quando você vê meus passos marcados no chão, saiba que eu estou seguindo meu caminho. Mudando de lugar, tentando encontrar o que é melhor para mim, tentando encontrar o melhor de mim. E depois de uma certa idade, da shakira, da dança e outras coisas mais... eu comecei a aprender a cuidar de mim mesma. Nem sempre podemos vencer, então aprendi com os erros - que muitas vezes cortam a pele. Mas eu não costumo me entristecer por muito tempo, então deixo para trás as roupas que já não me servem e volto para a mesma trilha - que lá na frente me abrirá os caminhos. Como uma cigana... eu não ouvirei suas desculpas por muito tempo, quando você menos perceber meu pensamento não estará mais aqui. Não é assim que a vida acontece? Algumas noites são longas e frias e no outro dia... sai o sol. Como uma cigana... enquanto você dorme, eu estarei partindo. Quantas vezes eu tentei lhe acordar? Mas você estava distraído demais sonhando e eu só queria viver músicas, beijos e sorrisos... Se você reparar bem, menina ou mulher, eu não mudei tanto assim. Meu coração ainda é o mesmo, ele ainda é um bom coração. Eu não me esqueço de onde vim e mesmo sem saber para onde vou, sei para onde não quero ir. Ontem, depois de pensar em tudo isso e mais um pouco enquanto a Shakira se apresentava... eu olhei para o céu. A lua estava lá, grande, brilhante, como devia estar. Minutos depois a chuva tomou novamente seu lugar... Sim, como uma cigana, nós nunca sabemos quanto tempo a luz pode durar. E de nada adianta andar com fósforos nos bolsos, se a sua chama não está acesa.

"E um dia depois da tempestade
Quando menos você pensa sai o sol
De tanto somar perde a conta
Porque um e um nem sempre são dois
Quando menos você pensa sai o sol"
(Sale El Sol - Shakira)

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quinta-feira, 17 de março de 2011

Filmes mudos.   

  Pode ser a tpm, você, minha ansiedade. Pode ser tudo ou nada... que me fez escrever um texto tão intenso ontem que eu resolvi nem publicar. Mas só de escrever me alivia. O que me pertuba é tentar disfarçar um vaziozinho no peito que eu não sei de onde vem. É fingir que eu acredito em frases manjadas que eu escuto o tempo todo. É saber que andaram dizendo por aí que eu não demonstro iniciativa (- Logo eu? Hahaha.. eu até ri com um pouco de raiva por um absurdo desses). E eu soube disso bem no dia que eu acordei não querendo provar nada pra ninguém - principalmente o meu valor. Poxa, será que não dá pra ver? Não dá pra se mexer? Não dá pra me dizer o que você realmente está sentindo? 
  "Foda-se o passado, beije o futuro" - essa é a frase do Bono Vox que eu li hoje. E hoje, talvez nos próximos dias também, é assim que vai ser. Quer agir de acordo com o passado, ficar ressabiado, ir devagar quase parando, se guardar pro próximo carnaval? Pode ir. Ou melhor... pode ficar que eu vou (Você devia saber que eu não paro). Vou pra outro canto, pra outro lado, vou continuar sendo inteira, intensa, meio exagerada, mas eu vou. Agora se quiser um futuro colorido, com trilhas sonoras, coisas sem muito sentido, declarações sem hora marcada... O futuro começa aqui - como num filme de Charles Chaplin: Sem muitas palavras, sem muitas promessas, apenas com gestos que dizem tudo que precisamos saber.

    Logo eu que adoro uma boa poesia, hoje acordei cansada das palavras (ou da falta delas - vai saber). E eu me pergunto o que vai fazer falta enquanto eu estiver buscando a mim mesma lá fora (sim, eu estava aqui o tempo todo - até agora). Eu não quero perguntar mais nada. Estou cansada de tentar convencer o mundo a participar dos meus planos. Ou pedir algo que você sabe que eu quero tanto. Ou usar sempre o seu relógio para saber a hora certa de tudo. (Pode ser a tpm, você, minha falta de paciência... Mas hoje, o que eu não irei ver, eu também não quero te entender).

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terça-feira, 15 de março de 2011

O que sobrou do céu.

   O terremoto. O tsunami. E a irradiação. Sim, esse é o Japão - irreconhecível! - depois d'uma sequência de fatos trágicos que me faz dar um pouquinho de valor na vida (ainda mais!). Desde a ocorrencia, perdi a conta de quantas vezes li a seguinte frase na internet: "O que você faria? O que você faria se soubesse que só teria um ou dois dias? Se você soubesse que iria morrer...". E resposta deve estar dentro de mais duas perguntas "O que você quer viver? O que você quer fazer da sua vida?". Olha aí, o mundo tão cheio de possibilidades... E de repente "Bum", a terra mexe, vem a onda, a usina explode. E a cada imagem que eu assisto do outro lado do mundo, meu coração diz "Meu Deus, obrigada - eu tenho chances, minha família pertinho de mim, tenho saúde e sorte!".

    Antes do Japão, há mais ou menos um ano, foi a vez do mundo exercer sua solidariedade diante do Haití. Vi uma reportagem na semana do carnaval sobre a situação atual do país. Enquanto todos cochilavam no sofá, meus ossos se contraiam e meu coração ficava apertado ao ver aquelas cenas de miséria extrema. Gente comendo a mesma banana estragada dos porcos. A água suja. A ausência de energia e saneamento básico. Destroços por todos os lados. Lembranças tão evidentes de um momento ruim. Cenas da idosa deitada na calçada, suja e com fome. E o menino que correu quilômetros - com um sorriso no rosto - por uma fruta. A cena. O contexto. A situação. A falta de condição. A falta. Isso resume tudo que vi: falta. E se for pensar nisso (e a gente tem que pensar nessas coisas pra cair na real!), a gente tem tudo - e muitas vezes não se dá conta. Então a gente reclama, enrola, xinga... por coisas que nem importam tanto assim, eu lhe garanto. No final das contas, o que realmente importa? O que nos faz feliz?

   A gente pode marcar um "X" na frente de tantas opções e depois de um suspirro, com o peito cheio de ogulho, dizer "Vamos lá, eu consigo!". Eu sei, ás vezes falta coragem. Ás vezes, a achamos que não iremos dar conta. Mas por que duvidar tanto de si mesmo? Por que não fazer tudo como se fosse o último dia? Não serei hipócrita. Tenho medos, receios e planos. Muitos planos também. E deixo coisas pra depois. Não diria que é um erro, nem um acerto. Talvez uma atitude natural do ser humano. O importante é prestar atenção no que o corpo, a mente e alma pedem. E eu acredito nos desejos. Uma hora ou noutra a vida nos trás um presente, basta estarmos de olhos abertos. Como diria John Lennon: "A vida é o que lhe acontece, enquanto você está ocupado fazendo outros planos.".
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Faltou luz mas era dia, o sol invadiu a sala
Fez da TV um espelho refletindo o que a gente esquecia

Faltou luz mas era dia... di-ia
Faltou luz mas era dia, dia, dia

O som das crianças brincando nas ruas
Como se fosse um quintal
A cerveja gelada na esquina
Como se espantasse o mal

O chá pra curar esta azia
Um bom chá pra curar esta azia
Todas as ciências de baixa tecnologia
Todas as cores escondidas nas nuvens da rotina

Pra gente ver... por entre prédios e nós...
Pra gente ver... o que sobrou do céu... o la lá

(O que sobrou do céu - O Rappa)
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segunda-feira, 14 de março de 2011

Hoje é dia da poesia!

Porém, melhor que palavras escritas,
é ver todas as rimas diante dos nossos olhos!
















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sábado, 12 de março de 2011

E quando a gente começa a achar que aquele turbilhão de palavras soltas só ocupam a "realidade" do nosso imaginário, é melhor não escrever nada.

quinta-feira, 10 de março de 2011

Enquanto isso...

Gente... eu tenho que contar uma coisa pra vocês. Essa vida ta me deixando doida. Piradinha da "silva". De manhã, correria - o despertador não tocou. Vai, se vira nos 30 minha filha! Depois tem o trabalho, as fotos... a novela das carteirinhas que parece não acabar nunca. Entre um capítulo e outro, requisições se acumulam, tem que pegar material, fazer etiqueta e ensinar quem acha que já pode ser promovido. Mas a chefe ta viajando, tem paz. O outro chefe não e chamou uma vez se quer hoje, tem sensação de alegria. Tem história do carnaval de todo mundo pra contar, tem música da Paula Lima no fone de ouvido. Tanta coisa num dia só. Não reclamo, eu até gosto. Mas aí eu sigo para o caminho do curso no final da tarde.  Quando chego já é noite. O céu escuresse enquanto eu to no ônibus, muitas vezes enquanto cochilo - e eu fico com a sensação de estar perdendo alguma coisa. Sorte minha é que, por algum motivo que eu não sei qual, eu adoro a Av. Paulista! Mas da sala, no décimo quinto andar, eu não vejo os prédios bonitos e nem as pessoas bem vestidas andando pra lá e pra cá. Eu vejo o professor novo, que se parece com o "Mocotó"da Malhação (nossa, lembra disso?). E ele não me anima. Nem um pouco, apesar da cara de bonzinho. Fala, fala, fala a mesma coisa. No primeiro dia, foi só "crop", até 22h45, vê se pode. Hoje, só "seleção". Tudo tão óbvio. Nada que eu não tivesse descoberto sozinha olhando na tela desse Mac lindo (Se Deus quiser e quando meu dinheiro der, um dia eu terei um desse!). No Illustrator foi tão diferente... tinha dúvida, música boa durante os exercícios, tinha que anotar, prestar atenção pra acompanhar. Eu ia embora cansada, mas feliz. Agora eu vou embora cansada, com a sensação de que falta alguma coisa. Não vale me chamar de nerd, eu só quero o que é justo, só isso. Juro que eu esperava bem mais do photoshop e a culpa é dele. Eu odeio transferir culpas, mas dessa vez a culpa é dele. Eu escrevo no blog, vejo os emails, olho o facebook, o twitter e quando eu olho pra frente... Olha lá o "Mocotó" falando a mesma coisa.  Cadê a agilidade? A dinâmica? A união de todas as ferramentas? Hein? Cadê? E no final de uma desnecessária loooonga explicação ele manda fazer um teste, pergunta se há alguma dúvida. Teste que nada. Eu quero mesmo a realidade, aquela que do nada surge no dia a dia. Aquela que cria dúvidas gigantescas, faz com que a gente fique perdida, corra atrás, anote na agenda... Mas aquela que no final do dia te faça ir pra casa completa. 

"Ando bem, mas um pouco aos trancos. Como costumo dizer, um dia de salto sete, outro de sandália havaiana." (Caio Fernando Abreu)

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