quarta-feira, 22 de agosto de 2012


A resposta.

Acho que esperar uma resposta é pior que esperar dinheiro de alguém que te deve. É chato. Pertuba. Desafina. Faz com que meu corpo todo fique mole e eu coloque a culpa no calor, no ar seco. Mas é tudo mentira, é tudo culpa da resposta que não chega. De manhã, leio partes de um livro, mas entre uma palavra e outra, fico esperando uma resposta. Não consigo entender nada, não consigo lembrar de nada. Olho para o relógio e ele ri da minha cara. Olho para a caixa de entrada do meu email e quero que as promoções do Groupon se danem. Os aniversariantes da semana no Facebook, que se danem também. Eu não quero um fim de semana lá não sei onde pela metade do preço, não quero saber o preço de folhetos em couchê 170g com verniz fosco, não quero ir em festa estranha com gente esquisita. Só quero uma resposta. Mentira de novo. Eu não quero qualquer resposta. Eu quero a minha resposta com palavras de bom agrado, como se o Dalai Lama me ligasse. Porque se ele me ligasse, sei que ele só diria coisas boas. Tudo vem, tudo vai, menos a resposta. Não me contento. Vou atrás dela. Procuro nas lembranças recentes, na intuição... Não a encontro. Danada, tá se escondendo. Mas eu acho, ahhh se acho. Finjo ser a pessoa mais normal do mundo e digito palavras medidas. Não sei se digito “Abraços”, “Atenciosamente”, “Grata desde já” ou qualquer outra coisa ao final. Me decido depois de olhar 10 segundos pra tela. Tento os três jeitos e não sei te dizer qual eu escolhi, eu não lembro. Só lembro que quero a resposta, que na verdade, se desbodram em duas. Sim, a agonia duplica, são duas respostas. Depois a agonia se divide de novo, porque eu acabo de receber a resposta da resposta. Uma delas vai ficar pra amanhã. E eu que achava que amanhã iria estar livre de novo, que iria tirar o ponto de interrogação das costas. E a outra resposta? Não sei, ainda é mais misteriosa que a idade da Glória Maria. Fico aqui brincando de adivinha enquanto ela não vem, num mantra constante que canta baixinho "Hoje eu só quero que o dia termine muito bem!".

terça-feira, 21 de agosto de 2012

O lar nosso de cada dia.

‎"A Transformação pessoal requer substituição de velhos hábitos por novos." 
(W.A.Peterson)

Mudei. Dessa vez não foi de estratégia, de escolha, de comportamento. Continuo a mesma. Um pouco diferente, porém com a mesma essência (como aquele verso bonito do Teatro Mágico: "Ser essência e muito mais"). Mudei de uma casa para um apartamento. Mesmo que você diga que não tem varanda, que a cozinha é pequena e a lavanderia menor ainda, eu não mudarei minha opinião de que aquele cantinho no oitavo andar é, no mínimo, aconchegante. 

  Deixei algumas coisas para trás. Outras coisas nunca deixarei, onde quer que eu esteja. E aqui estou, vivendo outras coisas, outros hábitos e respirando novos ares. Hoje estava andando pela avenida Paulista e tive uma singela percepção de como alguns lugares modificam a gente. 

  O dia amanheceu bonito apesar do ar seco; Ousei um batom vermelho pra sair de casa; Dei bom dia para o motorista do ônibus; Quando cheguei ao trabalho ouvi um "nossa... você veio toda arrumada, vai sair hoje?"; Respondi: "Sabe o que é? A Av. Paulista é toda bonita, com gente bonita pra lá e pra cá, dá vontade de se arrumar também". É por essas e outras que, ás vezes, é bom se perguntar "Por onde tenho andado? Para onde quero ir?"

  A questão não é o apartamento ou a avenida, mas, na verdade, o que somos onde estamos. Não tem jeito, nosso lar acaba nos refletindo (vice-versa) e reflete nas coisas mais simples como num ímã de geladeira, num porta-retrato, nos livros da prateleira. Mas lar é uma coisa subjetiva. Você pode morar trinta anos em uma mansão e nunca ter um lar. Pode viajar o mundo com uma mochila nas costas e jurar de pés juntos que se sentiu em casa, fez isso como se tivesse assistindo um filme esparramado no sofá.

  Há uma frase do Buda da qual gosto bastante: "Onde quer que viva, esse é teu templo, se tratar como o tal". Nosso templo, nosso lar, seja lá como você queira chamar é tão importante quanto quem somos. Um complemento, eu diria. No nosso templo, nós presamos por aquilo em que acreditamos, cuidamos de nós mesmos, expandimos a paz que nasce por dentro, acreditamos em coisas boas e exercemos gentileza sem pensar na obrigação de ser gentil. Pode parecer um pensamento utópico, mas quando se tem a consciência de que a perfeição é uma tremenda bobagem, tudo faz mais sentido. 

  Por isso, eu digo: Eu mudei. Meu lar continua o mesmo. Um pouco diferente, porém com a mesma essência.


sexta-feira, 17 de agosto de 2012

Vou para casa. Arrumar caixas e malas. 
Entre um detalhe e outro, vou me reinventar.
Permito-me. Desdobro-me. Ajeito-me. 
Amanhã já está perto. Sei lá eu do resto.
To feliz. Empolgada. 
Dá um certo orgulho de mim mesma
dizer que vai ser tudo novo
ao invés de tudo de novo.
Como uma criança que descobre as cores
Como se as cores iluminassem novos lugares
- dentro de mim.


"Eu aumento o volume da música, coloco meus discos para tocar
Debaixo dos escombros soa uma música rebelde
Não quero ver outra geração desistir
Prefiro ser uma vírgula do que um ponto final

Talvez eu esteja no escuro, talvez eu esteja de joelhos
Talvez eu seja a lacuna entre dois trapézios
Mas meu coração está batendo e o meu pulso começa
Catedrais no meu coração"
(Every Teardrop is a Waterfall)

quarta-feira, 15 de agosto de 2012

Sim.

 Estou assim essa semana: inquietude total (tem como não ficar?). Tenho vontade de dançar. Escuto a mesma música cinco vezes. Minha paciência não está das melhores. Espelho, espelho meu, existe alguém mais ansiosa do que eu? Começo a escrever igual louca. Sou louca. Escrevo. Duas coisas que nunca neguei. Estava no ônibus voltando pra casa, pensando que queimar a língua comendo milho é chato (sim, eu queimei!) e entre uma crônica e outra, pensando sobre mim, minhas partes, meu inteiro. Não me pergunte a que conclusão cheguei. Sei onde começo, mas nunca sei onde vou terminar. Como se algum lugar do meu corpo abrigasse reticências ao invés do ponto final. 
...

 Tenho hora para algumas coisas (até hippies devem ter horário pra alguma coisa). Mas não tenho hora certa pra decidir. Não tenho hora certa pra jantar, tomar banho, ver TV, escrever. Faço tudo, mas não me prendo à ordem. Sou assim, meio despadronizada, meio desajeitada, inteira. Vivo fugindo do tédio. Tenho profunda admiração pelo imprevisível. Coisas que simplesmente acontecem sem antes me fazer pirar, pensar, fazer cálculos que eu nem sei fazer (pois é, não conte comigo quando o assunto é matemática!). Engasgo com tudo que me faz pensar muito. O imprevisível não tem tempo pra dúvidas, mesmo as inconscientes, ele é e pronto. E foi assim, em momentos sem passado nem futuro que coisas boas já aconteceram. Beijos roubados são muito melhores que os premeditados; Um plano de última hora é muito melhor que planejar uma vida inteira; Uma dose de loucura no meio do dia - ou da noite - ganha de qualquer normalidade; Um presente sem data comemorativa geralmente é muito mais emocionante que os que você ganha no seu aniversário e por ai vai. De um jeito tão simples e gostoso... Vai. 


  Deixar-se surpreender não é das tarefas mais fáceis. É preciso nocautear a expectativa e exercer um desapego de dentro pra fora. Assistir ao filme Yes Man com o Jim Carrey pode te ajudar. Você vai rir e se lembrar em muuuitos momentos da sua vida que dizer sim é importante e atrai coisa boa. Eu acredito. Dizer sim também é um jeito de parar de nos boicotar e até um jeito de nos conhecermos melhor (você consegue se escutar?). No mundo louco, cheio de tarefas, trânsito e gente desconfiada, o sim, por si só já é imprevisível, já é um presente para nós mesmos. E apenas o começo.


  No dia primeiro de janeiro escrevi aqui nesse mesmo blog: "Nada e ao mesmo tempo, tudo. É o que nós temos agora. É legal quando fazemos coisas e não as comparamos a nada. Quando você consegue fazer algo que não seja nem melhor nem pior que nada. Talvez devêssemos enxergar as pessoas que passam por nós e os momentos que vivemos de maneira mais criativa e de um modo mais único. Comparando tudo a nada".  Escrevi isso ao lembrar de uma das entrevistas do John Mayer onde ele dizia algo do tipo. Hoje repito minhas palavras e os pensamentos dele. Não quero muitas comparações, se for possível, nenhuma, para me permitir dizer sim mais vezes.

Olho para minhas reticências e  pergunto:
E ai, você se aceita?
Respondo: Sim, eu aceito.
Na saúde, na loucura, no amor, no trabalho, nas palavras...
Até que a ausência do imprevisível nos separe.

terça-feira, 14 de agosto de 2012

Montanha-russa.

Uma mistura de animação e pânico (como no trecho de um dos posts anteriores). No final das contas a sensação é boa. Comprei um livro pra distrair. To precisando. Minha ansiedade me deixa mais inquieta que de costume. O título do livro é Montanha-Russa da Martha Medeiros. Combina com o Trem-Bala que já li, da mesma autora. Os títulos me lembram um pouco essa coisa da vida. A mulher do caixa olhou pra capa, viu a montanha-russa e disse "Que horror. Tenho pavor disso. Quase morri no Boomerang". Minha vontade era tentar convencê-la do contrário, mas só conseguir dizer "medo não é tão ruim, a sensação de superar é boa" mas parei por ai porque tenho preguiça de gente medrosa. Ela ainda fazendo certa careta completou: "não superei até hoje". Azar o dela, sério mesmo. Não sabe passar medo e ainda sofre pelo passado. Isso sim é um horror! Bom mesmo é se permitir, mesmo que você saiba que ficará de cabeça pra baixo em alguns momentos, que irá gritar ao mesmo tempo que levanta os braços para se sentir mais livre. O medo quando encarado de frente, pode ser uma delícia (por que não?). 
Ah... você sabe, no final, todo mundo sai querendo mais.


segunda-feira, 13 de agosto de 2012

A ignorância.

A ignorância não tem nada a ver com status ou grau de escolaridade.

Até agora eu ri das piadas, ouvi tudo em silêncio, soube dos comentários feitos pelas costas, das conclusões de quem nem me conhece direito. Não liguei. Mesmo. Minha cabeça está tão ocupada, minha alma tão sossegada que eu estou bem, obrigada. Mas eu não posso deixar de achar lamentável a maneira que as pessoas lidam com a vida dos outros. O modo em que as pessoas usam uma novidade alheia para falar tanta bobagem. (Será que é tão difícil ver a vida por um lado bom?) Sinceramente eu aprendi a  não me importar muito com o que as pessoas pensam ou falam contanto que isso não atinja as pessoas que realmente importam para mim (dar apoio a quem está precisando e falar sua opinião sem fundamento são coisas bem diferentes!). Algumas pessoas acham que só porque possuem certo grau de parentesco, possuem também o direito de estarem certas sobre uma decisão individual. Gente que afirma que eu estou enganando de alguma forma as pessoas que mais me importam (quanta idiotice!). A verdade é que esse mundo está cheio de relações superficiais onde gente que te viu nascer não possui a mínima ideia das coisas que você faz, dos livros que você lê, das coisas que conquista, das causas que você abraça e do modo que você enxerga o mundo. Elas nem querem saber. Elas só querem saber se você pagou algum mico recente, se está namorando ou qualquer outra novidade barata que possa ser divulgada via Facebook. Uau... olha só o quanto eles sabem sobre você! É o mesmo que falar de um país inteiro tendo como base uma cidade. Por que as pessoas insistem em olhar os outros como vítimas ou culpados, como certos ou errados? As pessoas vão muito além disso - independente de qualquer status. O mundo é muito maior que isso. O mundo é muito maior que a vidinha que vivemos, eu me incluo nessa percepção também. O importante é ter consciência disso e não sair falando merda por ai. Quando não tiver o que falar, comece falando de você. Vai lá, me conte uma novidade, algo que você arriscou, um medo que passou, um lugar novo que conheceu, algo que superou... Por que o silêncio agora?

“Um homem precisa viajar. Por sua conta, não por meio de histórias, imagens, livros ou TV. Precisa viajar por si, com seus olhos e pés, para entender o que é seu. Para um dia plantar as suas próprias árvores e dar-lhes valor. Conhecer o frio para desfrutar o calor. E o oposto. Sentir a distância e o desabrigo para estar bem sob o próprio teto. Um homem precisa viajar para lugares que não conhece para quebrar essa arrogância que nos faz ver o mundo como o imaginamos, e não simplesmente como é ou pode ser. Que nos faz professores e doutores do que não vimos, quando deveríamos ser alunos, e simplesmente ir ver”
Amyr Klink

sexta-feira, 10 de agosto de 2012


"- Uma semana restante da sua antiga vida. Como você está se sentindo?
- Muito bem na verdade. Eu fico meio tonto quando penso muito, mas... É tipo uma tontura boa. É tipo... pânico. Ou animação.
(Pessoa se intromete na conversa dizendo: Pânico e animação são coisas diferentes!)
- Seus dedos estão inquietos também?
- Sim. Isso é ruim?
- Você escuta Radiohead?
- Aham
- Thom Yorke. Ele fala sobre tontura o tempo todo. Ele diz que quando os dedos dele ficam inquietos, é quando ele sabe que está a criar algo genial. E aí ele fica tão animado, a ponto de desmaiar. Então me parece que você está diante de algo genial.
- Legal!"

domingo, 5 de agosto de 2012

Mudanças...

Dia de conclusões de ciclos, emoções, mudança, arrumações... 
Praticamente uma preparação para os próximos dias... 

  É... Hoje meu dia durou mais que 24hs. São 00:54 e eu acho que acabei de fazer tudo que tinha pra ontem, ou hoje, sei lá. E qual é o gosto desse começo de agosto? Gosto de alguma coisa que eu nunca provei antes com uma pitada de outra coisa. Não sei explicar, só sei que faz sentido.

  Você acredita que sentimentos opostos podem ser sentidos de uma única vez? Isso mesmo... Alegria e tristeza, medo e coragem, força e fragilidade, ordem e caos... Consequências de situações distintas. Talvez seja isso, mas eu ainda não sei explicar. Nem sei se um dia saberei. Nem sei se quero. Se explicar tanto pra que? "Eu só queria te contar / Que eu fui lá fora / E vi dois sóis num dia / E a vida que ardia sem explicação...", não é Nando Reis?



  Ao invés da loucura no meio disso tudo, uma leve sensibilidade. Quinta-feira vi um filme que dizia que a vida é feita de momentos de impacto onde as partículas irão se colidir e você só tem que esperar até que elas colidam novamente. Achei tão bonito isso (o filme não tinha nada a ver com química okay, era sobre amor, vida, blá, blá, blá). Parei para pensar na vida (novidade?). Nunca estamos prontos para os impactos até que eles aconteçam. Se eles acontecem, é porque - em algum aspecto - estamos prontos. É isso.


*

sexta-feira, 3 de agosto de 2012


"...Toda mudança cobra um alto preço emocional. Antes de se tomar uma decisão difícil, e durante a tomada, chora-se muito, os questionamentos são inúmeros, a vida se desestabiliza. Mas então chega o depois da coisa feita, e aí a recompensa fica escancarada na face. Mudanças fazem milagres por nossos olhos, e é no olhar que se percebe a tal juventude eterna.

Um olhar opaco pode ser puxado e repuxado por um cirurgião a ponto de as rugas sumirem, só que continuará opaco porque não existe plástica que resgate seu brilho. Quem dá brilho ao olhar é a vida que a gente optou por levar.
Olhe-se no espelho…"
(Lya Luft)


terça-feira, 31 de julho de 2012

A verdade sobre o mundo moderninho

  Século XXI. Pessoas se comunicam na velocidade da luz e, ao mesmo tempo, possuem relações cada vez mais frágeis (irônico, não?). Se você não tiver conta no facebook, um smartphone, se casar entre 25 e 35 anos, ter um carro e depois ter filhos o mundo te olha estranho (impressão minha?). Se você fosse um refrigerante, você seria visto como Dolly Uva no lugar de Coca-Cola (não me pergunte da onde eu tirei essa comparação!). Afinal de contas, você não é a Angelina Jolie que faz pacto de sangue, tem várias tatuagens, “rouba” o marido da outra, adota um filho de cada parte do mundo, compra vestido de Oscar num brechó... e continua sendo a super Agelina. Você não é Ashton Kutcher que prega peças em outros artistas, casa com uma mulher 15 anos mais velha, dizem por ai que traiu, se separa e pega geral, surfa na enchente do Brasil... e continua sendo Ashton, o queridinho de todas as Américas.

  Não somos Angelina ou Ashton e infelizmente todos sabem disso. Convenhamos que somos meros mortais rodeados de gente que finge ser moderninha (e nós, fingimos também?). Não basta comprar a TV que reconhece voz, você tem continuar assistindo a novela das nove, assim como sua avó, sua mãe e grande parte das pessoas que você conhece. Não basta saber cozinhar, no domingo você tem que fazer macarrão. Não basta se tornar independente, você tem que casar e depois ter filhos. A modernidade não basta percebe? (Não estou criticando se isso é bom ou ruim okay!)

  Confesso que tenho notado isso a pouco tempo, mas isso não significa que se trata de uma atitude nova das pessoas. No nono episódio da última temporada do seriado Sex and The City, a personagem Carrie vai à uma festa de aniversário dos filhos de uma amiga, que fez todos os seus convidados tirarem os sapatos, ao final da festa, descobre que seus sapatos foram roubados. Ao final do episódio, Carrie conclui que nós gastamos tanto dinheiro em presentes para as pessoas que se casam e têm filhos porque é socialmente aceitável, mas ninguém comemora se somos bem sucedidos, sem filhos, felizes e solteiros.

Você pode conferir um trecho do episódio no vídeo abaixo. 
A imagem está meio ruim e o vídeo é sem legendas, mas bem, foi o que eu achei...



  Vi esse episódio no ano passado e concordei com a Carrie, ou melhor, com o roterista da série, imediatamente, bem antes das mudanças pelas quais estou passando. Quando as pessoas casam, geralmente escolhem padrinhos que abençoam a união e dão algum presente legal. E quando você resolve casar com você mesma? Quem vai te abençoar e te dar, ao menos, um pano de prato, ou quem sabe, uma cor nova de batom? (Alguém?)


  Sinto em dizer, essa é a verdade sobre esse mundo, que sabe fingir muito bem ser moderninho.

*

sábado, 28 de julho de 2012


Nem tão estranha assim...

"I've been drinking life
While you've been nauseous"
Audioslave - Cochise
  
  Posso falar? Essa semana foi estranha. Estranhamentos bons e ruins, todos ao mesmo tempo. Como eu me senti? Ali, de pé, deixando os estranhamentos passarem por mim, ou talvez, fazendo parte deles. E alguns deles, nem chegaram a ser tão estranhos assim. 

  Ás vezes quase não reconheço meu passado. Olho para algumas fotos e nem lembro que idade eu tinha ali. Não foram somente o corte e cor do cabelo que mudaram. Eu tinha um outro olhar, uma outra postura, uma outro sei lá o que. Talvez eu fosse um pouco de todo mundo e quase nada de mim mesma. Não me lembro de quem eu era (ou quero não lembrar por gostar muito mais do agora?). 

  Não foi nada de repente. Eu não sei, exatamente, em que momento eu olhei pra dentro e percebi que tinha feito as pazes comigo, ou pelo menos com a maior parte de mim. Só sei que é uma das sensações mais gostosas do mundo... Olhar pra dentro e sorrir com os rins. Dizer: "Sorte que eu estou numa fase muito boa comigo" e saber que isso é realmente é verdade (apesar de saber também que isso não tem nada a ver com sorte). Porque eu sei, sei que se não estivesse, já tinha surtado um pouquinho. Mas eu to aqui, achando até o que até as estranhezas da vida são boas.


*

quarta-feira, 25 de julho de 2012


DIA DO ESCRITOR

 Crescer custa, demora, esfola, mas compensa. 
É uma vitória secreta, sem testemunhas. 
O adversário somos nós mesmos.
- Martha Medeiros


Hoje é dia do escritor. Ta aí uma coisa da qual sou devota. Pessoas humanas, que sentem a vida até o último fio de cabelo e escrevem como se estivessem pintando um quadro. Eu acredito no Fernando Pessoa, no Mário Quintana, na Martha Medeiros, naquele negócio de quem “Um dia a gente aprende...” do William Shakspeare, nas frases da Lispector, nesse povo que compões uma letra de música mais bonita que a outra... Mesmo achando que, ás vezes, eles mentem um pouquinho. Leio alguns textos, escuto algumas músicas como se fossem salmos. É assim que eu rezo. Tantos santos imperfeitos se fundindo com a realidade. Tanta gente confessando sobre os demônios que levam dentro de si. Tanta gente que despe a alma e cobre as partes mais secretas com um ponto de exclamação. São eles. Quem escreve também mente, também sonha, também brinca de contar histórias, quase nunca possui respostas, se distraem com perguntas... Me distraem... Num ato generoso de doar suas vidas às palavras ou as palavras às suas vidas. Parabéns a eles e também a nós, que escrevemos uma parte da nossa história todos os dias.

segunda-feira, 23 de julho de 2012

O domingo, a lista, a caixa e o presente
  
  Domingo geralmente é tédio. hoje não foi. Acordei animada pelo sábado. Coloquei um okay em alguns itens de uma lista imaginária. Tirei todos os papéis das gavetas. A maioria foi pro lixo deixando até a alma mais leve. Quanta coisa inútil vamos acumulando com o tempo... Enfim, um belo dia temos que começar a nos organizar. Peguei uma caixa, a primeira, e coloquei ali as coisas não tão usáveis, porém essencialmente minhas que levarei comigo. Poucos livros, algumas inspirações, algumas recordações, alguns dvds (Claro que o John Mayer vai comigo!). Quantas caixas daqui em diante? Não sei. Menos possível. Também é tempo de praticar o desapego por aqui. O mais difícil são os vestígios. Coisas que não sabemos se nos desfazemos, ou levamos com a gente, ou simplesmente deixamos onde está só para não ter o trabalho de movê-las de lugar. E quantas vezes fazemos isso com a nossa vida? Quantas vezes nos convencemos de que aquela sensação de bem estar temporária é suficiente só pra não ter que enfrentar o desconhecido, só por não saber o que fazer com os vestígios? Continuando...


  Outro item da lista foi meu netbook. Toda vez que passava no shopping, pensava "tenho que encapar ele, deixá-lo mais bonitinho". Não tem jeito, eu adoro uma coisinha personalizada. Mas como a gente passa mais tempo pensando do que agindo nessa vida (vai dizer que não?), fui deixando. Hoje, finalmente, fui e agora, convenhamos, que ele está muito mais amigável.
*
  Falando em amigo, teve o Danilo no meu domingo. Um amigo e tanto! Mesmo! A gente se conheceu num curso, mas só nos falamos mesmo nos últimos dias. E a gente simplesmente continuou se falando. A gente conversa por horas, sobre nossas piores e melhores partes, sobre o mundo lá fora também. Trocamos conselhos e ficamos felizes um pelo outro. Eu realmente estou feliz por ele e ele diz estar super feliz por mim. A gente é assim. A gente meio que se empurra pra vida, sabe?! Como se estivesse sempre dizendo "Vai, não fica com medo não, qualquer coisa, eu to aqui". A gente diz, em outras palavras. Hoje ele me deu um presente. Na verdade, três. Primeiro, uma caixa com várias barrinhas de chocolate que trouxe de Gramado (uma delícia!). Depois, no shopping, enquanto esperávamos dar o horário do filme, cismei que queria algo novo que servisse pra fase nova. Fomos na Imaginarium e ele disse "leva, pago metade!", levei. Tem coisa mais gostosa que ganhar presente fora de data comemorativa? Tem sim. Porque ainda falta citar um presente, que é a amizade dele. É tão recíproco que nem precisa dizer. Quando ele olha pra mim e eu olho pra ele, a gente quer dizer: "To torcendo por você!". Esse é o melhor presente. 
*


quinta-feira, 19 de julho de 2012

O bonitinho.

Semana passada (ou essa semana? nem lembro!) estava trocando de canal na TV e parei no “Todo Seu”, era aniversário do Ronnie Von e quem estava apresentando o programa era a Fernada Young, com ele. Opa, parei para assistir. A princípio, por causa da Fernanda, que depois que vi a entrevista  dela no “De Frente com Gabi” passei a prestar mais atenção pelo tanto que me identifiquei. Poderia passar o dia inteiro falando sobre meu lado “Young”, mas hoje não vem ao caso. Enfim, bonito mesmo é o Ronnie Von falando do mundo feminino. Bonito mesmo! Colocaria esse tiozinho que ainda chamam de príncipe (com toda razão, por tanta elegância e cordialidade) num pacote, com laço e tudo e levaria pra casa - com todo respeito. Ta aí um homem que fala que adora mulher e eu realmente acredito. Os outros, a maioria, não todos, falam que adoram as mulheres e cinco minutos depois começam a competir conosco. Nos chamam de loucas e complicadas. Arhhh! Ta vendo, eles nem gostam tanto assim. Por isso, serei bem breve... Meninos, aprendam com o tio Ronnie!

quarta-feira, 18 de julho de 2012

Era uma vez...
  
Era uma vez uma boneca que sempre quis ter vida. Quase igual ao Pinóquio, a diferença é que ela nunca gostou muito de mentiras. Essa boneca sempre foi responsável, dedicada. Se ficou de recuperação três vezes na escola, foi muito. Sempre deu valor a tudo que teve. Nunca voltou bêbada pra casa, nunca arrumou briga. Aos 13 anos já sabia cozinhar, passar seu uniforme escolar. Sempre tentou escolher pessoas boas para estar ao seu lado. Nunca foi de seguir modinha, nem de ser influenciada por amigos. E por causa disso, muitas vezes se sentiu isolada, achando que ser ela mesma não era suficiente. Mas hoje, ela sente orgulho de ser ela mesma, sente orgulho de tudo que já conquistou e da sua coragem. Sempre foi uma boneca insegura, sem saber muito bem o que poderia fazer. Sua insegurança sempre foi muito cômoda para quem sempre teve o poder de controlá-la. Com o tempo, ela foi deixando de ser boneca e foi se transformando em um ser humano. Começou a reaprender a andar, falar, sentir. Hoje confia mais em si mesma, em alguns aspectos, causando certo espanto. Apesar de tudo, sempre foi otimista. Sempre achou que poderia ser melhor, mas não melhor que ninguém. Sempre teve dificuldade de expor seus sentimentos, mas aprendeu a chorar e a sorrir mais também. Sempre viu as coisas pelo lado positivo e sempre acreditou e desejou o melhor para a maioria das pessoas. Sempre achou que os outros fariam a mesma coisa. Talvez isso seja a parte mais difícil. Quando toma alguma decisão, as pessoas não prestam muita atenção, pensam que é bobagem, fase, rebeldia, um momento, que irá durar um mês, dois ou no máximo, três. Então eles fazem um discurso bonito e a apoiam. Falam "é isso ai!". Então, depois de pouco tempo, eles olham para ela e percebem que ela estava falando sério. "Olhem para o rostinho dela, tão ingênua, tão nova ainda, tão inexperiente... Isso é demais para ela!". Talvez ela ainda seja um pouco disso tudo, mas ela não quer ser assim para sempre. E isso ela não aprenderá em livros, conselhos ou escrevendo em seu blog. Mesmo assim, ela entende. Entende que quem ama cuida e se preocupa. Quer o bem. Mas, ás vezes, se sente sufocada também. Porque tudo que ela queria era um crédito, um voto de confiança, um desejo de boa sorte e de felicidade ao invés de alguém dizendo que a vida vai lhe mostrar alguma coisa, que ela está "se achando" demais e que não dá mais valor a tudo que teve. Ah, se eles soubessem... Talvez, um dia eles saibam que ela estava ali, esperando um ombro amigo para poder falar sobre seus medos ao invés de ser criticada e alimentada por eles. Esperando alguém dizer: "você é capaz de tanta coisa... estamos orgulhosos de você". Alguém não. Aquelas pessoas que são tão importantes para ela. Talvez, um dia eles saibam que mesmo chateada, o amor e a gratidão dela por eles sempre serão enormes.


Era uma vez uma boneca, que se tornou um ser humano 
e que só está começando a escrever sua história...
De cabeça erguida e com uma certa paz no peito.
Eu nem sei se ela deveria começar assim, expondo tanto a alma,
mas ela já está cansada de se esconder, de inventar histórias.