terça-feira, 17 de abril de 2012

A gente (muda).
Tudo muda. É assim. Assim como eu, ás vezes cheia de tantas palavras, muda. É assim com os sonhos também, uns mudam, outros mudos - todos gritando dentro da gente. A gente não fala pra não fazer promessa, pra não se cobrar demais, pra não causar alvoroço, pra não passar vergonha (isso tudo adianta?), porque na verdade, a gente nem sabe se faz sentido. Ás vezes não digo porque você tem mania de me analizar sem eu pedir e para isso, eu já me basto. Porque você me fala as mesmas coisas que eu já enxerguei e também não consegue achar uma resposta. Depois do silêncio e das mudanças, lá vaia a gente se explicar, inventar teorias, defender argumentos, se defender de nós mesmos (tudo isso pra que?). Se depois de tanto, diante disso eu ficar muda, é porque certamente alguma coisa mudou.

quinta-feira, 12 de abril de 2012

E você, sente saudade do que?

De brincar de esconde-esconde. Da sessão da tarde. De escrever cartinha com adesivo e caneta colorida. De pisar na areia de frente de um mar transparente. De um dia de frio pra usar várias camadas de roupa, bota e cachecol. De ver a neve cair. De jogar pimbolim com gente tão ruim quanto você. De saquê de morango com kiwi. Vinho quente. De perder a hora. De jogar conversa fora (ou a dentro) com quem você não vê com tanta frequência. De abraçar aquele seu amigo que tem o abraço mais acolhedor do mundo. De ter uma crise de riso. De tomar banho de chuva. De dançar aquela música. De viver aqueles outros sonhos.

Eu não sou a dona da razão, nem quase dona do que sinto, mas acho que a saudade anda banalizada. Apego não é saudade. Saudade não classifica pessoas por status, número e grau. Saudade não é amor, nem tristeza, nem necessariamente sentir falta. Pode ser apenas querer se fazer presente em algum momento e incluir alguma coisa nisso. Saudade não precisa ser extrema e avassaladora. Não precisa ser poesia. Talvez seja os nossos sentidos diferenciando o que importa e o que não importa, mesmo que não saibamos que coisas são essa. Talvez não tenha mesmo tradução. Saudade é necessidade do corpo de maneira pura e não há internet de banda larga que substitua isso.

Tem gente que você acha que vai fazer uma puta falta e... nada. Nadinha de nada. Você sempre arruma outra coisa pra fazer, outras pessoas pra encontrar, outro mundo pra girar. Você sente até uma obrigação de sentir saudade, mas não tem jeito. Manter uma ligação por causa do passado é perda de tempo e saudade nem é o que já passou. Saudade é agora, presente.

Tem gente que você nunca imaginou ver novamente, mas de repente te dá vontade de dizer: "to indo ai te ver!". Você não precisa inventar motivo, discurso, novidade... Não precisa de mais nada além da saudade - em qualquer tamanho.

Estou escrevendo isso porque essa semana senti saudade de andar na Av. Paulista, de encontrar meu querido mestre-amigo Maruo, que, sem maldade nenhuma, tem um dos abraços mais amigáveis do mundo. E de bater um papo com o Engelmann, que com toda aquela alma de artista me deu inspiração para outro - em breve - post aqui no blog. Ah meus queridos (queridos mesmo!), obrigada pela sempre inspiração. É muito bom sentir saudade de vocês pra depois, num dia qualquer, a gente se encontrar e perguntar: "E ai, como você está?".

=)

terça-feira, 10 de abril de 2012

Diário do palhaço - vol. 6
Dançando conforme a música...

Um dia, em casa, ouvindo uma música com duas batidas diferentes. Fiquei preocupada em qual delas deveria deixar meu corpo seguir. A resposta era simples, era só fechar os olhos. Ontem, na oficina de clown, ocorreu uma situação parecida. Tínhamos que improvisar de acordo com a música, além de improvisar com os outros clowns, que no meu caso, éramos um trio. Interessante!
Não existe o “fazer errado” (bobo de quem não se arrisca), existem tentativas que funcionam ou não. Uma constante evolução dos sentidos. No mínimo, um bom treino. Escutar a música e saber o que fazer com ela enquanto você tenta fazer outras coisas com outras pessoas.
Eu sempre acho que nossa vida é uma música sem fim, até quando tudo está em silêncio. E por mais que as atitudes sejam nossas, é essa música que nos leva, nos dá as dicas de como devemos nos mover. O ritmo é muito importante e quando o seguimos, o ar se encaixa melhor com a terra, nos sentimos mais firmes em nós mesmos e o universo do qual estamos vivendo, nos acolhe.
Saber alguns passos ajuda, por isso que procuramos conhecimento ao longo da vida e treinamos o que sabemos de acordo com as oportunidades. Quando a música acelera é preciso ter uma carta na manga, ou melhor, um passo na ponta do pé. O que a gente não pode é parar.
Esses dias li uma frase do Eisten que dizia: “A vida é como andar de bicicleta. Para termos equilíbrio, é preciso estar em movimento”. É isso. Diria até que, nesse caso, outra maneira de andar de bicicleta é dançar conforme a música.

Com vocês, Charlie Chaplin, um homem que seguia a música como ninguém...

domingo, 8 de abril de 2012

A melhor

Não é só porque acabei de ver o show do Foo Fighters no Lollapalooza pela TV não. A música abaixo me encanta desde quando surgiu assim como The Pretender. Everylong e Times Like This eu conheci depois, vi a letra e disse "Foda!". Learn to Fly me lembra sempre aquele videoclipe hilário e não tenho como não gostar (se tiver ai de bobeira, escute todas!). Mas, para mim, Best of you... ainda é a melhor:


Melhor de Você

Eu tenho outra confissão a fazer
Eu sou o seu tolo
Todos têm correntes para quebrar
Segurando você
Você nasceu para resistir?
Ou para ser abusado?

Alguém está tirando o melhor
O melhor, o melhor, o melhor de você?
Alguém está tirando o melhor
O melhor, o melhor, o melhor de você?

Ou você se foi e virou outra pessoa?

Eu precisava de um lugar para me enforcar
Sem o seu laço
Você me deu algo que eu não tinha
Mas que não teve uso
Eu estava fraco demais para desistir
Forte demais para perder
O meu coração está preso de novo
Mas eu me libertarei
Minha mente me oferece vida ou morte
Mas eu não consigo escolher
Eu juro que nunca vou desistir
Eu me recuso

Alguém está tirando o melhor
O melhor, o melhor, o melhor de você?
Alguém está tirando o melhor
O melhor, o melhor, o melhor de você?

Alguém tirou a sua fé?
É real a dor que você sente?
Sua confiança?
Você deve confessar
Alguém está tirando o melhor
O melhor, o melhor, o melhor de você?

Eu tenho outra confissão, meu amigo
Eu não sou um tolo
Estou ficando cansado de recomeçar
Em um lugar novo
Você nasceu para resistir ou para ser abusado?
Eu juro que nunca vou desistir
Eu me recuso

sábado, 7 de abril de 2012

A imunidade.


“A falta de definição, por si só, define a vida.
Tudo é transitório, nossas manias, nossos pensamentos, 
nossos amores, nossos pontos de vista. 
Sabemos quem somos e o que sentimos, mas não sabemos até quando.”
(Martha Medeiros)


Minha imunidade abaixou e a gripe me pegou. Hoje basicamente dormi e vi algumas coisas na tv, mas não vou escrever um post falando sobre isso, não exatamente sobre isso.
Mesmo depois de ter me sentido renovada na segunda-feira, sinto que minha imunidade está um pouco baixa também em outras partes, outros aspectos. E seria muito simples se um chá de mel e limão resolvesse. Talvez seja tão simples como um chá e eu só não descobri como. Hoje comecei a me perguntar se eu sonho demais ou ando desencantada demais para achar que sonho demais... Ás vezes eu olho para a lua e fico imaginando coisas que eu nem sei se existem ou se apenas fazem parte da minha cabeça. É patético, eu sei. Junto com isso vem uma pitadinha de medo. Medo de se frustrar lá na frente, de ver o tempo passar. Não medo de envelhecer e ganhar algumas rugas, isso não, só de ver o tempo passar. Então começo a procurar um botão pra desligar o pensamento. Mas desligar o pensamento seria se limitar tanto, seria existir de modo sem graça, seria sentir quase nada e permanecer do mesmo tamanho. Apesar de tudo, eu prefiro não me abandonar e continuar pra ver no que vai dar...


"Crescer custa, demora, esfola, mas compensa. 
É uma vitória secreta, sem testemunhas. 
O adversário somos nós mesmos.
(Martha Medeiros)

terça-feira, 3 de abril de 2012

Mais viva

Era para ser uma segunda feira qualquer, mas um ticket mudou tudo. Fazia tempo que não sentia ansiedade ao nível de causar frio no estômago. Ás 22hs eu me transportaria para outra época. Tudo na maneira mais simples e natural possível. Ao vivo, fazendo com que eu me sentisse mais viva. Com um pai que gosta de hip hop e uma mãe de raízes sertanejas, eu me encontraria entre as luzes e uma outra trilha sonora. Aquela que não lota estádios, mas que faz sentir. De alguma forma, estava eu ali, me traduzindo. Eu estava ali, no meu mundo, de frente com um homem de terno que sabe exatamente como se comportar dentro dele. Tanto talento, tanta simpatia, tanta coisa boa... Pelo visto também voltei a época dos amores platônicos.  Bom mesmo é sentir o amor dentro da gente, seja por uma música, um momento, um gesto. Fiquei tão hipnotizada que nem consegui chorar quando ele cantou "Me & Mrs. Jones". Dancei com "Everything" e "Feeling Good" me arrepiou dos pés a cabeça. Cada música teve seu valor e não houve uma parte que eu não gostasse. Houve um momento em que ele passou do meu lado e eu me arrependi por estar preocupada em tirar foto nessa hora. Depois, já no palco, ele me olhou, apontou pra mim, sorriu e cantou algo que nem lembro. Você acha que eu lembraria da música depois do cara que vem lá do outro lado do planeta ter cantado durante uns 10 segundos pra mim?Coisa da minha cabeça? Pode até ser, mas já que é para sonhar, prefiro acreditar que a noite foi minha fazendo com que dure uma eternidade. Ah...Michael Bublé, você vai ficar pra história!


"And in this carzy life, and through these crazy times
It's you, It's you, you make me sing
You're every line, you're every word, you're everything"

(Everything - Michael Bublé)

*

domingo, 1 de abril de 2012

Diário do palhaço Vol. 4 e 5

A graça está no trágico e metaforicamente nossa vida é composta de várias tragédias. É a fé em nós mesmos que nos mantém de pé e nos faz conquistar não só a platéia, mas também o mundo, outros mundos - quem sabe? - e tantas coisas ao nosso redor. Continuo dizendo que não é fácil, mas é revigorante a fim de se tornar contagiante. Até rima. É quase poesia. Muitas pessoas ainda não entendem, porque ainda pensam demais.

Amanhã não irei na Oficina de Clown, mas será por um bom motivo... Amanhã será a grande moite do show do Michael Bublé e certamente eu não posso perder. Me desejem sorte para não errar o caminho (espelho, espelho meu, existe alguém mais perdida do que eu? rs) e para que ele cante Me & Mrs. Jones, Crazy Little Thing Called Love, Everything, I've Got The World On A String... Também não sei quem sentará ao meu lado, então não custa desejar mais um pouquinho de sorte, sei lá, nunca se sabe né rs. 

"This thing called love
I just can't handle it"


beijos mágicos e dançantes...

terça-feira, 27 de março de 2012

Sei lá...

Sei lá, eu não deveria me importar com coisas pequenas. Não mesmo. Mas quando vi, estou eu ali, pensando e pensando, martelando conclusões sobre mim. Dizem que detalhes fazem a diferença. Eu concordo. Sem detalhes tudo seria igual, incluindo o que sentimos. O que são detalhes então? eu me pergunto. É um reconhecimento, um sorriso, um abraço sem motivo, um nariz de palhaço, um voto de confiança, é tentar transcender o que se sente, é dizer se gosta - só se for verdade - e o contrário também. É não ter tanta pressa, é pedir desculpas olhando no olho, é insistir quando a gente desanima.
As pessoas ao nosso redor possuem um valor incalculável, mas talvez não se deem tanta conta disso. Quando falamos que não nos importamos com o que os outros pensam, isso provavelmente não inclui nossa família. Queremos que eles fiquem orgulhosos de nós assim como ficamos orgulhosos de nós mesmos. Chegar onde queremos não é fácil, é uma luta constante, um passo de cada vez, uma soma de conhecimentos, erros e aprendizados. Seria legal se as pessoas vibrassem conosco e parasse um pouquinho pra prestar atenção na nossa trajetória. Chegar onde se quer é legal, mas o caminho é um detalhe importante.
Sei lá, to meio chateada desde a semana passada, embora não quisesse estar. Sei lá, eu não deveria me importar com coisas pequenas. Mas detalhes fazem a diferença. Será que as pessoas possuem a mesma preocupação em acertar como eu eu tenho? eu me pergunto e não faço ideia.


"Sei lá...
Tem dias que a gente olha pra si
E se pergunta se é mesmo isso aí
Que a gente achou que ia ser
Quando a gente crescer
E nossa história de repente ficou
Alguma coisa que alguém inventou
A gente não se reconhece ali
No oposto de um déjà vu
Sei lá...
Tem tanta coisa que a gente não diz
E se pergunta se anda feliz
Com o rumo que a vida tomou
No trabalho e no amor
Se a gente é dono do próprio nariz
Ou o espelho é que se transformou
A gente não se reconhece ali
No oposto de um vis a vis"

(Já é - Lulu Santos)

quinta-feira, 22 de março de 2012

Diário do palhaço - Vol. 3


Demorei pra escrever. O tempo me consome, nem sempre da maneira que eu gostaria, mas consome. Enfim, a última oficina foi menos perturbadora. Uma intensidade com mais naturalidade. Menos coisas pra se pensar durante a semana, como se meu clown já quisesse aparecer entre as cortinas. Como se o jogo despertasse mais curiosidade que receio. Ainda é preciso ser mais aquilo que eu já avistei, toquei, mas ainda não peguei pelas mãos. Ainda é preciso muita coisa, porém um pouco já se consegue ser. Um pouco do que havia se perdido. É um longo caminho, um aprendizado constante. Recriar a mente e abrir o coração. Rir da tragédia e encontrar-se na falta de controle. Praticar o improviso e o olhar para o mundo (quando o mundo espera algo de você). Uma aceitação de si mesmo no estado presente. Ser imperfeita de propósito e assim criar novas possibilidades. Com minha falta de alongamento, minha altura de 1,74m e minhas gostosuras espalhadas pelo corpo, resolvi colocar meu nariz de palhaço e ser bailarina e mais tudo que eu quiser.


beijos desalinhados...
Your pocker face

Eu fui com sua cara. Te observo e você nem ai. Fica com essa cara de sono que, por algum motivo, prende minha atenção. Eu fui com sua cara, fui muito com todo o resto também. Essa sua roupa, esse cabelo meio bagunçado. Minha mãos poderiam ficar ali desvendando seu cabelo por horas. Teu All Star parece ser de outro mundo. Igual a todos os outros, mas o seu é diferente. É seu. Quase meu de tanto que olho. Olho quando você ta em outra direção. Olho tanto, até quando você vai embora. Todo dia é assim. Todo dia passa. A gente passa. E cada vez mais eu vou com tua cara, com teus braços, teu andar que sempre continua enquanto eu tento chegar no meu destino. E você fica preso dentro da minha cabeça, em câmera lenta. Não faço ideia no que acontece no resto do dia. Afinal, de onde você veio? Como chegou até aqui? Você esbarra comigo tão inocente que eu até dou risada de você baixinho. Nem sei se você repara, se acha que eu sou uma pessoa engraçada ou uma completa idiota. Nem sei se sua voz é tão envolvente como eu imagino, mas eu gosto. Monto e desmonto você a hora que eu quero. Meu lego preferido não existe. Adoro inventar você - sem você saber que eu definitivamente vou com sua cara!

Ps: Texto inspirado nos relacionamentos imaginários de um amigo que uma vez disse: "Eu já namorei várias vezes. Vários relacionamentos imaginários com gente que eu encontro todo dia, no ônibus, na faculdade... A gente começa a namorar, depois termina, tudo é tão lindo e eu nem sofro". Eu ri - muito - e achei encantador rs. 

domingo, 18 de março de 2012

A mania do coitado.

Eu me emociono com histórias de superação, choro vendo filme, Chegadas e Partidas, e até The X Factor. Dá pra acreditar? É tanta sensibilidade diante do mundo, que ás vezes chego a ponderar me camuflando. Contudo, não consigo achar que fulano ou ciclano seja coitado. Acho o sentimento de "pena" um dos piores do mundo. Faz tudo parecer sem valor. É como desvalorizar alguém que ta precisando de um "up". Não é nem piedade. É só coitado. Coitado do cara que trabalha no sol, do menino que não consegue ser jogador de futebol, daquele que ficou doente, da moça sem namorado, daquele que bateu o carro em plena manhã de segunda, da mulher com cinco filhos e dois empregos. Por mais que a história me comova, me desculpem, eu não consigo. Acredito em excessões, em um pouco de sorte, mas acredito também que tudo que mandamos para o espaço, um dia volta. Que nesse grande ciclo, todos tenhamos finais mais felizes que tristes. Temos escolhas. Umas muito mais difíceis que as outras. Entretanto, escolhas que trazem consigo consequências. Quando não podemos fazer mais nada, é porque já fizemos. Ta ai seu presente, você queira ou não. Não gostou? Chore, esperneie e depois pare de se lamentar, por favor. Move on. Siga em frente. Você não é coitado, então não desista. Se as coisas estão saindo fora do eixo e você ta começando a ficar chateado(a), pare com isso. Comece a ficar puto(a), as pessoas irão te respeitar mais por isso, caso contrário você deixará de ser você pra ser o tal do coitado. Ser coitado é chato, é muito trágico, é só sofrimento e você não consegue nem rir de si mesmo. E, espera ai... nem coitado você é. Não me levem a mal. Eu não acho que os outros são coitados, porque também não gosto de ser vista assim. As pessoas possuem mania de consolar os outros, mesmo quando está tudo bem. Há maneiras mais otimistas de enxergar as coisas e "ser coitado" definitivamente não é uma delas.

terça-feira, 13 de março de 2012

Ser normal
... e Diário do palhaço - Vol 2.


- Por que fazer isso?
- Por que não fazer?


Começo a entender quando dizem que a vaidade é um pecado capital. A vaidade é ser cobiçado, admirado e estar de acordo? É isso? Aparentemente inofensiva, mas quando nos damos conta, somos reféns. Exagero meu? Então me explica: me explica o motivo de você querer parecer tão normal. Você não. Nós. Nós que paramos de usar aquela calça velha que nós amamos porque saiu de moda. 


No último sábado fui assistir Família Adams, uma comédia musical da Broadway, agora no Brasil com ótimo elenco. Recomendo. Fiquei encantada com a maneira que eles tratam a "normalidade" na peça. Tio Chico canta "O que é normal não se sabe bem... Os filhos são loucos e os pais também...". Em determinado momento, a filha, Wandinha, pede a família para que finjam ser uma família normal. "A normalidade é uma ilusão querida, o que é normal para a aranha é uma calamidade pra mosca!" - responde Mortiça. Alguém discorda da mulher sombria, de cabelos longos, decote e movimentos delicados? Eu não. Eu ri quase como forma de aplauso. A Mortiça tem muito de algo que todos nós deveríamos ter. Ela sabe muito bem quem é para perder seu tempo explicando isso para outras pessoas. Com uma vaidade que não estraga, não se importa e a faz normal de um modo mais real.


Hoje resolvi testar a normalidade das coisas, desafiar a mim mesma. Claro que a Oficina de Clown tem papel fundamental nisso. Hoje testei o nariz de palhaço pela primeira vez. Como a maioria das coisas novas, o nariz também trouxe certo desconforto de início, incômodo, um não saber o que fazer. Depois pude perceber um pouco do que aquilo significa. Quase como um cartão verde, um passe livre: não pense, seja o que quiser. Mais uma aula terminou. Deixei o nariz vermelho pendurado no pescoço, ainda não queria tirá-lo de mim. "Tenho que me desprogramar pra não pensar" - pensei enquanto caminhava até o metrô. Coloquei o nariz de volta ao rosto na estação e assim fui até meu destino. Por volta de 40 minutos, sorrindo e calada - exceto quando três pessoas vieram me perguntar se tinha algum motivo por eu estar fazendo aquilo. Não sabia nem o que responder direito. Sem muitos pensamentos, sem riso de desespero. Apenas ali. Em nenhum outro lugar, apenas ali com o poder de um nariz vermelho. Com vontade de interagir, mas ainda não preparada. Contudo, me sentindo a pessoa mais normal do mundo.

*

sábado, 10 de março de 2012

O sussurro.

Certamente, alguma vez na vida, nós já se perguntamos: "Por que? Por que isso está acontecendo comigo? Por que agora?" E, como resposta, ouvimos um enorme silêncio ecoando em nosso quarto. Somos pegos de surpresa e, de um dia para o outro, somos obrigados ir por outro caminho. Coisas indeterminadas sempre me deixaram aflita. É muito melhor quando temos a ilusão de que estamos no controle das coisas. Mas não temos, acho que nunca tivemos. A nossa percepção diante da vida, na maioria das vezes, é uma grande ilusão. 
Quem já leu esse blog algumas vezes deve saber o quão grande é minha admiração por um artista chamado John Mayer. Bom, é por causa dele que escrevo esse post. Era fim de tarde quando li o comunicado que ele postou em seu Tumblr. Depois de tanta dedicação e ansiedade em torno do álbum novo "Born and Raised", ensaios para a nova turnê, boatos de show na América Latina e uma guitarra nova com o nome de Rosie... uma notícia realmente ruim. 
Mesmo depois da cirurgia e da última pausa nas cordas vocais, o granuloma voltou. "Ele se forma e continua crescer porque fica em um local onde as cordas vocais se chocam, e não existe um jeito de curar isso sem que se faça uma longa pausa e um intenso tratamento (...) Estou emocionalmente esgotado agora, mas por favor, saibam o quanto eu tentei resolver isso e como estou decepcionado por não poder apresentar esse disco ainda" - diz John. Confesso que isso me deixou triste, não pelo fato das minhas chances de ver um show do Sr. Mayer em breve tenham diminuído. Não sou tão egoísta a esse ponto. Fiquei triste por ele, porque esperar é ruim e se sentir frustrado, pior ainda. Talvez seja bom, mas acho que não somos tão evoluídos para entender isso quando precisamos. Somos humanos.
Se minha opinião sobre ele se resumisse em um cara charmoso que faz umas músicas, eu não estaria escrevendo isso. Porém, eu acho que ele é um dos artistas mais competentes dentro do cenário musical atualmente. De um modo que eu ainda não sei explicar, a voz que parece sussurrar no meu ouvido, todas as melodias e os solos de guitarra me acalmam e se encaixam nos fragmentos da minha vida. Tenho uma playlist no youtube com 57 vídeos do John que eu escuto com certa frequência. Se por um acaso, sua recuperação levar um longo tempo, eu continuarei escutando o que já foi eternizado, mas eu realmente quero que ele fique bem, que ele possa fazer o que gosta e continue movendo sua vida com sua maior paixão.
Provavelmente John nunca irá ler o que eu escrevi aqui no dia de hoje, mas não me importo, se a energia que depositei em cada palavra chegar a ele, talvez por raio de neon que circula pelo mundo, eu estarei feliz. De qualquer forma: "Querido John, tenha uma boa recuperação e me desculpe por falar mal do seu cabelo quando ele não fazia diferença alguma comparado às suas cordas vocais".

"Sim, estou impedido de voar
Minhas asas foram cortadas
Estou cercado por todo esse pavimento
Acho que vou correr em círculos
Enquanto estou esperando meu fusível secar

Um dia eu vou voar
Um dia eu vou subir
Um dia eu vou ser muito mais
Porque eu sou maior do que o meu corpo me permite ser
Porque eu sou maior do que o meu corpo agora

Talvez eu me embole nos fios de alta-tensão
E tudo pode acabar em questão de segundos
Mas eu iria para as chamas com prazer
Se a chama é o que é preciso para lembrar o meu nome
Para lembrar o meu nome"

(Bigger Than My Body - John Mayer)



*

quarta-feira, 7 de março de 2012

Diário do palhaço - Vol. 1

Segunda-feira. Sai do trabalho as pressas, tomei o ônibus e vinte minutos depois estava num pedaço do céu. Mandalas, plantas, panos por todos os lado e um silêncio que vem de dentro do mundo. Uma exposição de fotografia logo na entrada. Gente boa pelo caminho. A novidade sempre é um pouco constrangedora. O outro torna-se um mistério que vai se desvendando aos poucos - ou não. Confesso. A serenidade do meu rosto esconde que por dentro eu estou quase apavorada. O desafio é maior do que eu imaginava. Ainda mais pra mim que sou mais íntima com palavras do que com gestos. Por isso, escrevo. Escrever me dá tempo. Tempo para organizar ideias, para pensar e não ser bobagem. Ninguém quer se passar por bobo, idiota ou coisa parecida - nem eu. Ninguém quer ser ridículo de propósito, por isso o tamanho da barreira a ser quebrada. Esse vidro que me protege de mim mesma. É difícil mostrar o que tentamos esconder a vida toda. Difícil exercer esse desapego diante de bons modos já que a sociedade nos cobra o oposto o tempo inteiro. Gritar, ser estranho, dizer algo que ninguém entende, ser extremo... Qualquer coisa, qualquer coisa MESMO sem se importar. É tudo improviso. E improviso é aquilo que você tem que fazer quando tudo sai do controle. Tem que ser rápido. Tem que acontecer. Não há tempo de pensar. É saber enxergar o que está diante do nariz. Me falta jogo de cintura nessas horas. Dá um branco. Eu sempre quero enxergar além e filosofar sobre alguma coisa, mas as coisas mudaram. Sumo do mundo e não sei o que fazer. Não faço nada, quase nada. O espontâneo funciona bem, mas ser de propósito é outra história - que deveria ser a mesma coisa. Cunfuso? É, eu também fiquei. Está tudo aqui dentro, pronto pra ser manuseado, descoberto, colorido, pronto pra não ser levado a sério.

"Acho que tanto drama e comédia têm tempo, mas essa risada da plateia é determinante para um comediante. Eu acredito no humor como forma de ver as coisas"
Denise Fraga - Atriz e comediante 

beijos


segunda-feira, 5 de março de 2012

Decidi: Quero rir mais da vida.




Ás vezes a gente acorda e simplesmente começa a fazer algo por nós mesmos. Tinha que ser assim todo dia, mas a gente esquece. Hoje lembrei. Há quinze dias acordei assim também, naqueles dias. Não era TPM, nem menstruação (sim homens, isso são coisas diferentes!). Acordei querendo mudanças. Poderia me empacotar inteira e deixar um caminhão me levar pra um lugar novo. Na verdade, era mais simples que isso, porém eu não sabia por onde começar. Cismei que precisava de um curso, alimentar a mente e o currículo. Desenho, infografia, pós-graduação. Vagas só para o meio do ano, o que no meu relógio é muito tempo. Até que me vi naqueles momentos de "viva a tecnologia!". Na página do meu facebook, em uma tarde qualquer, surge a divulgação de uma Oficina de Clown (clown é mais chique, mas é a mesma coisa que palhaço), postado por uma figura chamada Thiago Martins do qual conheci através do Clube do Designer. Estudar um "ser palhaço" não tinha passado pela minha cabeça, embora eu me sinta assim algumas vezes. Mas foi ai que notei que a tal mudança precisava ser interna. Que tinha mais a ver com quem eu sou do que o que eu faço. Pensei duas vezes - não mais que isso - e me matriculei. Decidi: Quero rir mais da vida. Precisamos. A primeira aula é amanhã (ou hoje, pois já se passaram da meia noite) e eu não faço a mínima ideia de como vai ser, mas já estou gostando da sensação de fazer algo por mim. Estou ansiosa pra variar e já contei a novidade para um monte de gente. O que me dá certo medinho também, porque além da novidade, sou daquelas que acreditam um pouquinho que tudo que é comentado demais não dá muito certo. Mas já foi. Tem coisas que não cabem dentro da gente. E a cara que as pessoas fazem, ao saber que pensando em pós-graduação acabei numa oficina de palhaço, já é de dar risada.




Felicidade?
Disse o mais tolo: "Felicidade não existe."
O intelectual: "Não no sentido lato."
O empresário: "Desde que haja lucro."
O operário: "Sem emprego, nem pensar!"
O cientista: "Ainda será descoberta."
O místico: "Está escrito nas estrelas."
O político: "Poder"
A igreja: "Sem tristeza? Impossível.... (Amém)"

O poeta riu de todos,
E por alguns minutos...
Foi feliz!

(O Teatro Mágico)


beijos mágicos e risonhos...