terça-feira, 27 de março de 2012

Sei lá...

Sei lá, eu não deveria me importar com coisas pequenas. Não mesmo. Mas quando vi, estou eu ali, pensando e pensando, martelando conclusões sobre mim. Dizem que detalhes fazem a diferença. Eu concordo. Sem detalhes tudo seria igual, incluindo o que sentimos. O que são detalhes então? eu me pergunto. É um reconhecimento, um sorriso, um abraço sem motivo, um nariz de palhaço, um voto de confiança, é tentar transcender o que se sente, é dizer se gosta - só se for verdade - e o contrário também. É não ter tanta pressa, é pedir desculpas olhando no olho, é insistir quando a gente desanima.
As pessoas ao nosso redor possuem um valor incalculável, mas talvez não se deem tanta conta disso. Quando falamos que não nos importamos com o que os outros pensam, isso provavelmente não inclui nossa família. Queremos que eles fiquem orgulhosos de nós assim como ficamos orgulhosos de nós mesmos. Chegar onde queremos não é fácil, é uma luta constante, um passo de cada vez, uma soma de conhecimentos, erros e aprendizados. Seria legal se as pessoas vibrassem conosco e parasse um pouquinho pra prestar atenção na nossa trajetória. Chegar onde se quer é legal, mas o caminho é um detalhe importante.
Sei lá, to meio chateada desde a semana passada, embora não quisesse estar. Sei lá, eu não deveria me importar com coisas pequenas. Mas detalhes fazem a diferença. Será que as pessoas possuem a mesma preocupação em acertar como eu eu tenho? eu me pergunto e não faço ideia.


"Sei lá...
Tem dias que a gente olha pra si
E se pergunta se é mesmo isso aí
Que a gente achou que ia ser
Quando a gente crescer
E nossa história de repente ficou
Alguma coisa que alguém inventou
A gente não se reconhece ali
No oposto de um déjà vu
Sei lá...
Tem tanta coisa que a gente não diz
E se pergunta se anda feliz
Com o rumo que a vida tomou
No trabalho e no amor
Se a gente é dono do próprio nariz
Ou o espelho é que se transformou
A gente não se reconhece ali
No oposto de um vis a vis"

(Já é - Lulu Santos)

quinta-feira, 22 de março de 2012

Diário do palhaço - Vol. 3


Demorei pra escrever. O tempo me consome, nem sempre da maneira que eu gostaria, mas consome. Enfim, a última oficina foi menos perturbadora. Uma intensidade com mais naturalidade. Menos coisas pra se pensar durante a semana, como se meu clown já quisesse aparecer entre as cortinas. Como se o jogo despertasse mais curiosidade que receio. Ainda é preciso ser mais aquilo que eu já avistei, toquei, mas ainda não peguei pelas mãos. Ainda é preciso muita coisa, porém um pouco já se consegue ser. Um pouco do que havia se perdido. É um longo caminho, um aprendizado constante. Recriar a mente e abrir o coração. Rir da tragédia e encontrar-se na falta de controle. Praticar o improviso e o olhar para o mundo (quando o mundo espera algo de você). Uma aceitação de si mesmo no estado presente. Ser imperfeita de propósito e assim criar novas possibilidades. Com minha falta de alongamento, minha altura de 1,74m e minhas gostosuras espalhadas pelo corpo, resolvi colocar meu nariz de palhaço e ser bailarina e mais tudo que eu quiser.


beijos desalinhados...
Your pocker face

Eu fui com sua cara. Te observo e você nem ai. Fica com essa cara de sono que, por algum motivo, prende minha atenção. Eu fui com sua cara, fui muito com todo o resto também. Essa sua roupa, esse cabelo meio bagunçado. Minha mãos poderiam ficar ali desvendando seu cabelo por horas. Teu All Star parece ser de outro mundo. Igual a todos os outros, mas o seu é diferente. É seu. Quase meu de tanto que olho. Olho quando você ta em outra direção. Olho tanto, até quando você vai embora. Todo dia é assim. Todo dia passa. A gente passa. E cada vez mais eu vou com tua cara, com teus braços, teu andar que sempre continua enquanto eu tento chegar no meu destino. E você fica preso dentro da minha cabeça, em câmera lenta. Não faço ideia no que acontece no resto do dia. Afinal, de onde você veio? Como chegou até aqui? Você esbarra comigo tão inocente que eu até dou risada de você baixinho. Nem sei se você repara, se acha que eu sou uma pessoa engraçada ou uma completa idiota. Nem sei se sua voz é tão envolvente como eu imagino, mas eu gosto. Monto e desmonto você a hora que eu quero. Meu lego preferido não existe. Adoro inventar você - sem você saber que eu definitivamente vou com sua cara!

Ps: Texto inspirado nos relacionamentos imaginários de um amigo que uma vez disse: "Eu já namorei várias vezes. Vários relacionamentos imaginários com gente que eu encontro todo dia, no ônibus, na faculdade... A gente começa a namorar, depois termina, tudo é tão lindo e eu nem sofro". Eu ri - muito - e achei encantador rs. 

domingo, 18 de março de 2012

A mania do coitado.

Eu me emociono com histórias de superação, choro vendo filme, Chegadas e Partidas, e até The X Factor. Dá pra acreditar? É tanta sensibilidade diante do mundo, que ás vezes chego a ponderar me camuflando. Contudo, não consigo achar que fulano ou ciclano seja coitado. Acho o sentimento de "pena" um dos piores do mundo. Faz tudo parecer sem valor. É como desvalorizar alguém que ta precisando de um "up". Não é nem piedade. É só coitado. Coitado do cara que trabalha no sol, do menino que não consegue ser jogador de futebol, daquele que ficou doente, da moça sem namorado, daquele que bateu o carro em plena manhã de segunda, da mulher com cinco filhos e dois empregos. Por mais que a história me comova, me desculpem, eu não consigo. Acredito em excessões, em um pouco de sorte, mas acredito também que tudo que mandamos para o espaço, um dia volta. Que nesse grande ciclo, todos tenhamos finais mais felizes que tristes. Temos escolhas. Umas muito mais difíceis que as outras. Entretanto, escolhas que trazem consigo consequências. Quando não podemos fazer mais nada, é porque já fizemos. Ta ai seu presente, você queira ou não. Não gostou? Chore, esperneie e depois pare de se lamentar, por favor. Move on. Siga em frente. Você não é coitado, então não desista. Se as coisas estão saindo fora do eixo e você ta começando a ficar chateado(a), pare com isso. Comece a ficar puto(a), as pessoas irão te respeitar mais por isso, caso contrário você deixará de ser você pra ser o tal do coitado. Ser coitado é chato, é muito trágico, é só sofrimento e você não consegue nem rir de si mesmo. E, espera ai... nem coitado você é. Não me levem a mal. Eu não acho que os outros são coitados, porque também não gosto de ser vista assim. As pessoas possuem mania de consolar os outros, mesmo quando está tudo bem. Há maneiras mais otimistas de enxergar as coisas e "ser coitado" definitivamente não é uma delas.

terça-feira, 13 de março de 2012

Ser normal
... e Diário do palhaço - Vol 2.


- Por que fazer isso?
- Por que não fazer?


Começo a entender quando dizem que a vaidade é um pecado capital. A vaidade é ser cobiçado, admirado e estar de acordo? É isso? Aparentemente inofensiva, mas quando nos damos conta, somos reféns. Exagero meu? Então me explica: me explica o motivo de você querer parecer tão normal. Você não. Nós. Nós que paramos de usar aquela calça velha que nós amamos porque saiu de moda. 


No último sábado fui assistir Família Adams, uma comédia musical da Broadway, agora no Brasil com ótimo elenco. Recomendo. Fiquei encantada com a maneira que eles tratam a "normalidade" na peça. Tio Chico canta "O que é normal não se sabe bem... Os filhos são loucos e os pais também...". Em determinado momento, a filha, Wandinha, pede a família para que finjam ser uma família normal. "A normalidade é uma ilusão querida, o que é normal para a aranha é uma calamidade pra mosca!" - responde Mortiça. Alguém discorda da mulher sombria, de cabelos longos, decote e movimentos delicados? Eu não. Eu ri quase como forma de aplauso. A Mortiça tem muito de algo que todos nós deveríamos ter. Ela sabe muito bem quem é para perder seu tempo explicando isso para outras pessoas. Com uma vaidade que não estraga, não se importa e a faz normal de um modo mais real.


Hoje resolvi testar a normalidade das coisas, desafiar a mim mesma. Claro que a Oficina de Clown tem papel fundamental nisso. Hoje testei o nariz de palhaço pela primeira vez. Como a maioria das coisas novas, o nariz também trouxe certo desconforto de início, incômodo, um não saber o que fazer. Depois pude perceber um pouco do que aquilo significa. Quase como um cartão verde, um passe livre: não pense, seja o que quiser. Mais uma aula terminou. Deixei o nariz vermelho pendurado no pescoço, ainda não queria tirá-lo de mim. "Tenho que me desprogramar pra não pensar" - pensei enquanto caminhava até o metrô. Coloquei o nariz de volta ao rosto na estação e assim fui até meu destino. Por volta de 40 minutos, sorrindo e calada - exceto quando três pessoas vieram me perguntar se tinha algum motivo por eu estar fazendo aquilo. Não sabia nem o que responder direito. Sem muitos pensamentos, sem riso de desespero. Apenas ali. Em nenhum outro lugar, apenas ali com o poder de um nariz vermelho. Com vontade de interagir, mas ainda não preparada. Contudo, me sentindo a pessoa mais normal do mundo.

*

sábado, 10 de março de 2012

O sussurro.

Certamente, alguma vez na vida, nós já se perguntamos: "Por que? Por que isso está acontecendo comigo? Por que agora?" E, como resposta, ouvimos um enorme silêncio ecoando em nosso quarto. Somos pegos de surpresa e, de um dia para o outro, somos obrigados ir por outro caminho. Coisas indeterminadas sempre me deixaram aflita. É muito melhor quando temos a ilusão de que estamos no controle das coisas. Mas não temos, acho que nunca tivemos. A nossa percepção diante da vida, na maioria das vezes, é uma grande ilusão. 
Quem já leu esse blog algumas vezes deve saber o quão grande é minha admiração por um artista chamado John Mayer. Bom, é por causa dele que escrevo esse post. Era fim de tarde quando li o comunicado que ele postou em seu Tumblr. Depois de tanta dedicação e ansiedade em torno do álbum novo "Born and Raised", ensaios para a nova turnê, boatos de show na América Latina e uma guitarra nova com o nome de Rosie... uma notícia realmente ruim. 
Mesmo depois da cirurgia e da última pausa nas cordas vocais, o granuloma voltou. "Ele se forma e continua crescer porque fica em um local onde as cordas vocais se chocam, e não existe um jeito de curar isso sem que se faça uma longa pausa e um intenso tratamento (...) Estou emocionalmente esgotado agora, mas por favor, saibam o quanto eu tentei resolver isso e como estou decepcionado por não poder apresentar esse disco ainda" - diz John. Confesso que isso me deixou triste, não pelo fato das minhas chances de ver um show do Sr. Mayer em breve tenham diminuído. Não sou tão egoísta a esse ponto. Fiquei triste por ele, porque esperar é ruim e se sentir frustrado, pior ainda. Talvez seja bom, mas acho que não somos tão evoluídos para entender isso quando precisamos. Somos humanos.
Se minha opinião sobre ele se resumisse em um cara charmoso que faz umas músicas, eu não estaria escrevendo isso. Porém, eu acho que ele é um dos artistas mais competentes dentro do cenário musical atualmente. De um modo que eu ainda não sei explicar, a voz que parece sussurrar no meu ouvido, todas as melodias e os solos de guitarra me acalmam e se encaixam nos fragmentos da minha vida. Tenho uma playlist no youtube com 57 vídeos do John que eu escuto com certa frequência. Se por um acaso, sua recuperação levar um longo tempo, eu continuarei escutando o que já foi eternizado, mas eu realmente quero que ele fique bem, que ele possa fazer o que gosta e continue movendo sua vida com sua maior paixão.
Provavelmente John nunca irá ler o que eu escrevi aqui no dia de hoje, mas não me importo, se a energia que depositei em cada palavra chegar a ele, talvez por raio de neon que circula pelo mundo, eu estarei feliz. De qualquer forma: "Querido John, tenha uma boa recuperação e me desculpe por falar mal do seu cabelo quando ele não fazia diferença alguma comparado às suas cordas vocais".

"Sim, estou impedido de voar
Minhas asas foram cortadas
Estou cercado por todo esse pavimento
Acho que vou correr em círculos
Enquanto estou esperando meu fusível secar

Um dia eu vou voar
Um dia eu vou subir
Um dia eu vou ser muito mais
Porque eu sou maior do que o meu corpo me permite ser
Porque eu sou maior do que o meu corpo agora

Talvez eu me embole nos fios de alta-tensão
E tudo pode acabar em questão de segundos
Mas eu iria para as chamas com prazer
Se a chama é o que é preciso para lembrar o meu nome
Para lembrar o meu nome"

(Bigger Than My Body - John Mayer)



*

quarta-feira, 7 de março de 2012

Diário do palhaço - Vol. 1

Segunda-feira. Sai do trabalho as pressas, tomei o ônibus e vinte minutos depois estava num pedaço do céu. Mandalas, plantas, panos por todos os lado e um silêncio que vem de dentro do mundo. Uma exposição de fotografia logo na entrada. Gente boa pelo caminho. A novidade sempre é um pouco constrangedora. O outro torna-se um mistério que vai se desvendando aos poucos - ou não. Confesso. A serenidade do meu rosto esconde que por dentro eu estou quase apavorada. O desafio é maior do que eu imaginava. Ainda mais pra mim que sou mais íntima com palavras do que com gestos. Por isso, escrevo. Escrever me dá tempo. Tempo para organizar ideias, para pensar e não ser bobagem. Ninguém quer se passar por bobo, idiota ou coisa parecida - nem eu. Ninguém quer ser ridículo de propósito, por isso o tamanho da barreira a ser quebrada. Esse vidro que me protege de mim mesma. É difícil mostrar o que tentamos esconder a vida toda. Difícil exercer esse desapego diante de bons modos já que a sociedade nos cobra o oposto o tempo inteiro. Gritar, ser estranho, dizer algo que ninguém entende, ser extremo... Qualquer coisa, qualquer coisa MESMO sem se importar. É tudo improviso. E improviso é aquilo que você tem que fazer quando tudo sai do controle. Tem que ser rápido. Tem que acontecer. Não há tempo de pensar. É saber enxergar o que está diante do nariz. Me falta jogo de cintura nessas horas. Dá um branco. Eu sempre quero enxergar além e filosofar sobre alguma coisa, mas as coisas mudaram. Sumo do mundo e não sei o que fazer. Não faço nada, quase nada. O espontâneo funciona bem, mas ser de propósito é outra história - que deveria ser a mesma coisa. Cunfuso? É, eu também fiquei. Está tudo aqui dentro, pronto pra ser manuseado, descoberto, colorido, pronto pra não ser levado a sério.

"Acho que tanto drama e comédia têm tempo, mas essa risada da plateia é determinante para um comediante. Eu acredito no humor como forma de ver as coisas"
Denise Fraga - Atriz e comediante 

beijos


segunda-feira, 5 de março de 2012

Decidi: Quero rir mais da vida.




Ás vezes a gente acorda e simplesmente começa a fazer algo por nós mesmos. Tinha que ser assim todo dia, mas a gente esquece. Hoje lembrei. Há quinze dias acordei assim também, naqueles dias. Não era TPM, nem menstruação (sim homens, isso são coisas diferentes!). Acordei querendo mudanças. Poderia me empacotar inteira e deixar um caminhão me levar pra um lugar novo. Na verdade, era mais simples que isso, porém eu não sabia por onde começar. Cismei que precisava de um curso, alimentar a mente e o currículo. Desenho, infografia, pós-graduação. Vagas só para o meio do ano, o que no meu relógio é muito tempo. Até que me vi naqueles momentos de "viva a tecnologia!". Na página do meu facebook, em uma tarde qualquer, surge a divulgação de uma Oficina de Clown (clown é mais chique, mas é a mesma coisa que palhaço), postado por uma figura chamada Thiago Martins do qual conheci através do Clube do Designer. Estudar um "ser palhaço" não tinha passado pela minha cabeça, embora eu me sinta assim algumas vezes. Mas foi ai que notei que a tal mudança precisava ser interna. Que tinha mais a ver com quem eu sou do que o que eu faço. Pensei duas vezes - não mais que isso - e me matriculei. Decidi: Quero rir mais da vida. Precisamos. A primeira aula é amanhã (ou hoje, pois já se passaram da meia noite) e eu não faço a mínima ideia de como vai ser, mas já estou gostando da sensação de fazer algo por mim. Estou ansiosa pra variar e já contei a novidade para um monte de gente. O que me dá certo medinho também, porque além da novidade, sou daquelas que acreditam um pouquinho que tudo que é comentado demais não dá muito certo. Mas já foi. Tem coisas que não cabem dentro da gente. E a cara que as pessoas fazem, ao saber que pensando em pós-graduação acabei numa oficina de palhaço, já é de dar risada.




Felicidade?
Disse o mais tolo: "Felicidade não existe."
O intelectual: "Não no sentido lato."
O empresário: "Desde que haja lucro."
O operário: "Sem emprego, nem pensar!"
O cientista: "Ainda será descoberta."
O místico: "Está escrito nas estrelas."
O político: "Poder"
A igreja: "Sem tristeza? Impossível.... (Amém)"

O poeta riu de todos,
E por alguns minutos...
Foi feliz!

(O Teatro Mágico)


beijos mágicos e risonhos...

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Imortais

Um dos motivos que me levou a criar um blog foi a possibilidade de compartilhar assuntos que, geralmente, fica fora dos bate-papos e das conversas sobre o tempo, trabalho, novela, trânsito, julgamentos noticiados na TV, o que será do Brasil quando a Copa do Mundo for aqui... Sempre pensei em outras coisas antes de dormir, ou mesmo durante o dia, quando tento ficar em silêncio.

Hoje resolvi escrever sobre a morte, porque o Caio começou a falar sobre isso no trabalho e eu fiz cara de espanto, com um reação automática de evitar o assunto. Depois comecei a me acostumar com a ideia do assunto e comecei a pensar que morte é muito mais comum que um navio afundando, um avião caindo, um brinquedo quebrado... A morte acontece todos os dias e a gente finge não ver.

As pessoas acreditam em tanta coisas. Santo, horóscopo, simpatia, alma gêmea, fofoca... Mas quando se trata da morte, é igual fantasma e disco voador: evitamos pensar no assunto, porque nenhuma explicação nos convence. Falta coisa na história, falta acontecer com a gente, mas a gente não quer que isso aconteça.Temos um puta medo, há sempre um espanto, um desespero, uma inconformidade - antes da saudade.

Hoje eu cheguei em casa e assisti um filme chamado 50% (Em inglês: 50/50). Basicamente o filme é sobre um cara de 27 anos que descobre que possui um tipo raro de câncer. Sei lá. Com câncer ou não, todos nós estamos morrendo. Com as mesmas chances. A diferença é que as pessoas que não possuem o diagnóstico que nenhuma doença grave, muitas vezes, agem como se fôssemos imortais. Agimos como se a vida fosse eterna. Com isso, não damos valor que deveríamos a quem está sempre ao nosso lado, ou deixamos de fazer as coisas que realmente gostamos para colocar outras prioridades na frente, ou simplesmente vivemos com pressa. A verdade é que só temos a vida inteira.

Nós evitamos a morte porque queremos viver, mas talvez se a encararmos de frente, viveríamos muito mais.



*

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Sobre o humor, mas não é engraçado.
Hoje o espelho não é mágico, nem engraçado, apenas real.


O mundo anda louco e isso já vem de algum tempo, mas semana passada eu ainda consegui me surpreender - de novo - com a ignorância das pessoas, nesse caso, na internet. Tiago Leifert (apresentador do Globo Esporte na rede Globo) fez uma piada. Seguidores sem senso de humor xingaram. Ele retrucou (porque, afinal de contas, é uma pessoa como qualquer outra - não me venham com esse papo de "ah, mas ele é da mídia...") e virou o “bandido” da história. Lá vai ele pedir desculpas na TV. Me disseram que o Tiago errou porque perdeu a compostura e se estivesse na razão não teria dado explicações no Globo Esporte. Eu discordo. Já ouviu aquela frase famosa “O cliente sempre tem razão”? Então!  A Globo só fez com que ele seguisse as normas do “politicamente correto”. É tão fácil perceber isso... 

Rafinha Bastos não teve a mesma “sorte” e foi demitido, além de alguns processos sobre piadas com crianças, mulheres, deficiênctes, pessoas de Rondônia. Danilo Gentili, outro comediante do cenário Stand Up Comedy, também já foi criticado por piadas com judeus e negros. Eu, sinceramente, não consigo entender o motivo disso tudo, dessa seriedade tamanha diante do humor. As pessoas adoram rir dos gays, dos gordos, dos baixinhos... a lista é grande, mas será que não conseguem rir de si mesmas? E NÃO fazer piadas com uma classe específica não seria exclusão social? 

Me diga, quantas piadas você já ouviu ou fez sobre argentinos e portugueses? Tempo atrás, o ator Robin Willians fez uma piada sobre a escolha do Rio para sede nas Olimpíadas e, olha só, a maioria não gostou. Robin Willians não é argentino ou português, mas e daí? Essa falta de humor seria baixa autoestima ou mania de superioridade? Porque, no Brasil, eu duvido que seja patriotismo, que, nesse caso, se resume a carnaval e futebol. Por que podemos fazer piadas com os outros e os outros não podem fazer piadas com a gente? É uma grande hipocrisia. As pessoas deveriam fazer protestos e abrir processos sim na época das eleições onde tudo vira uma grande palhaçada - com todo respeito aos palhaços. Mas as pessoas dão risada e levam na brincadeira. Eu avisei que o mundo anda louco. Rir de uma história inventada é muito mais fácil do que rir da verdade que, muitas vezes, assusta mais que diverte. 

Algumas crianças são realmente engraçadas. Fazem graça e nem sabem o por quê os outros dão risada. Elas são sinceras e, acredito eu, que elas não possuem intenção de humilhar ninguém. Comediante faz a mesma coisa. É só uma piada. É só para ser engraçado. Se alguém riu, missão cumprida. Umas piadas mais criativas, outras, menos. Piadas feitas para agradar e piadas feitas para dizer a verdade. Tudo piada.

As pessoas procuram por humor o tempo todo. Exemplo disso é que se você perguntar a alguém o que ela busca numa pessoa em um relacionamento, um dos requisitos, certamente, será senso de humor. Sim, queremos alguém que nos faça rir. Mas será que realmente estamos dispostos a isso no nosso dia a dia? 

Toda piada tem um alvo, isso é um fato. Antes de escrever esse texto, eu estava revendo a entrevista que o Danilo Gentili deu para a Marília Gabriela, a entrevista é muito interessante caso queira ver no youtube. Uma das partes que mais me chamou atenção foi quando ele disse: “O humor é sempre ‘violento’. Tom e Jerry é gato correndo com um machado atrás de um rato. Você pega a piada que você quiser, o humor que você quiser, o princípio que você quiser... é violento e tem um alvo”. É uma verdade, mas isso não significa que seja bullying.




As pessoas andam encanadas com tudo, percebeu? Hoje li em algum site que a ABIGRAF (Associação Brasileira da Indústria Gráfica)  foi reclamar que a propaganda do Itaú mostra o pai da criança rasgando uma folha e que isso é mau exemplo e blá blá blá. Gente, é só uma propaganda! Era só uma folha usada! Entendeu? É isso.

Eu confesso que deveria ser uma pessoa mais bem humorada em alguns requisitos. Porém, na verdade, humor eu até tenho, o que eu não tenho muito é paciência com essas pessoas que vivem classificando as coisas em certo ou errado o tempo inteiro, que gastam sua energia tentando ser “politicamente corretas” e com gente que xinga os outros a troco de nada.

*

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

E para agora, isso é tudo.

O que você faz. O que você diz. O que une sua cabeça e seu coração. Todas as luzes acessas. Há uma revelação. Há uma evolução em algum lugar dentro de você. Por onde você anda. Por onde você enxerga. O que separa sua raiva do amor. Você está no escuro. Há uma revelação. Há uma evolução em algum lugar dentro de você. Letras embaralhadas. Quais as palavras que você consegue formar? Letras embaralhadas. Seus verbos estão por todo lugar. Jatos de tinta são jogados nas paredes. Ainda é possível diferenciar suas cores preferidas. Coloque sua roupa mais velha e venha se sujar. É assim que nos encontramos. É assim que iremos nos encontrar. Quando você pensa que não tem outro jeito, você só precisa apertar o play e relaxar. Sem papo furado pra tentar me convencer. Eu não quero saber o que você acha de mim. Eu não quero saber. Olhe nos meus olhos e apenas olhe pra você. Eu quero ver você na sua velha roupa se sujando. Luzes acesas ou no escuro. Letras embaralhadas. Verbos. Tinta por todo lugar. É assim que nos encontramos. É assim que iremos nos encontrar.


quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Quanto tempo falta?


"Eu lembro dos filmes que eu nunca vi, passando sem parar em algum lugar" 
(Capital Inicial - Tudo que vai)


Que o meu querer é sem fim você já deve saber. Quero aquele emprego, dinheiro, coragem pra passar alguns meses pagando um Ipod, quero tempo. Quero uma paixão estilo "meu aia, meu oiô" que o Wando cantava. Quero aquele email respondido, lua cheia no céu, sorvete, uma saia pra combinar com uma blusinha laranja. Quero voltar pra minha dança, ver filme de comédia com o Adam Sandler. Quero que a noite dure mais tempo pra eu escrever sem ficar contando quantas horas de sono ainda vou ter. Quero fingir que canto no karaokê até ficar rouca como da última vez. Quero assistir American Idol sem ninguém encher o saco pra colocar no futebol. Quero uma viagem, pra longe... com outro cheiro pra e sentir saudade depois. Quero o mês de maio pra fazer aniversário, dormir de edredom e usar cachecol. Quero um curso novo, ou dois, ou três...  Quero pessoas boas perto de mim. Quero "Badaloooo" como a doida da Narcisa. Eu quero mesmo! Tudo isso. É pedir muito? Creio que não, eu nem to pedindo carro e apartamento poxa. Mas tem outra coisa que eu também queria: não querer (será mesmo?). Porque querer aflige, perturba, incomoda, me deixa ansiosa - no mínimo. Você olha pra uma coisa legal e fala: "eu quero" e pronto, você quer. Não deveria ser tão fácil assim. Deveria ser ao contrário. Nossos desejos deveriam passar por um processo seletivo e realizar deveria ser mais fácil. Bem melhor assim, mas a realidade é outra e conseguir é outra história, exige pelo menos uma gota de suor, alguns contatos e um pouco de sorte (vai dizer que não?). Quando nada disso funciona a gente fala que não era a hora certa, que é coisa do destino e começa a pensar em outro querer. A Regina Duarte disse numa entrevista que teve sorte, porque tanta gente dá um duro danado, tem talento e não tem as oportunidades que ela teve. Se a Regina Duarte, tão realizada, grata da vida, com aquele sorriso lindo disse, quem ou eu pra contrariar?


É uma corda bamba na qual caminhamos, lutando pra manter o equilíbrio pra chegar do outro lado e ainda fazer pose de artista no final. 
Muitas vezes, é como se eu tivéssemos sentados no banco do passageiro perguntando a todo momento se já está chegando. 
Kilometros não me respondem. 20 ou 70 km pra mim tanto faz. 
Quero saber quanto tempo falta. E eu não sei.

Ps: Tudo que sei agora é que só tenho 5 horas de sono. Boa noite.


Imagem do filme "Quem Quer Ser m Milionário?".

“Se tivermos cuidado e sorte – sobretudo, talvez, sorte – quem sabe, dê certo? Não é fácil. Tampouco impossível. E se existe essa centelha quase palpável, essa esperança intensa que chamamos de amor, então não há nada mais sensato a fazer do que soltarmos as mãos dos trapézios, perdermos a frágil segurança de nossas solidões e nos enlaçarmos em pleno ar. Talvez nos esborrachemos. Talvez saiamos voando. Não temos como saber se vai dar certo – o verdadeiro encontro só se dá ao tirarmos os pés do chão –, mas a vida não tem nenhum sentido se não for para dar o salto”. (Antônio Prata)

É isso!
*

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Eu (e) estive pensando...

Depois de estar comigo tantas vezes no trajeto casa-trabalho-casa, ele morreu em minhas mãos, no fim da tarde de uma terça-feira, onde minúsculas gotas de chuva pingavam sob suas últimas palavras sem intenção de molhá-las, como se fossem lágrimas. Me pareceu uma morte mais justa. Agora eu reconhecia suas formas, ou  ao menos seus traços. Foi quase surpreendente. Eu estaria mentindo se dissesse que nunca esperei por isso. Mas, contraditoriamente, eu nunca o vi morrendo. Mesmo sem forças, ele estava mais vivo que muita gente saudável que eu encontro por ai. Talvez seja por isso que bem antes do terceiro dia, ele tenha ressuscitado num pedaço de maçã. Exagero meu? Pode ser. Mas a loucura é um pouco exagerada e é assim, com um pouco dessa loucura, que se move o mundo. Quando o mundo disse que ele havia morrido eu sabia que ele era parte de uma história, mas não tinha ideia que eram tantas histórias. Eu não tinha ideia. Hoje eu começo a entender a importância de tudo, a ligação entre as coisas e o poder que isso pode causar. Essa tal experiência. Saber o que eu soube, ler o que eu li e sentir o que eu senti (muitas vezes uma confusão pela rapidez que as coisas acontecem), me fizeram enxergar que eu sempre tive alguns valores bem certos dentro de mim e isso nunca me impediu de modificar o resto das coisas. Fizeram com que eu me sentisse mais humana ao invés de me sentir como o personagem de Charles Chaplin em Tempos Modernos. E falando nisso, agora eu até vejo "uma vida melhor no futuro, eu vejo isso por cima de um muro de hipocrisia que insiste em nos rodear". Eu deveria citar Bob Dylan ao invés de Lulu Santos. Eu deveria... Mas assim como tudo que escrevi, não somaria em nada uma vida que acabou, ou que, de algumas formas, irá permanecer. Ele não necessita de qualquer representação de si mesmo. Dispensa cores, imagens e firulas. Ele conseguiu ser muito maior que isso - eu não sei muito bem até onde vai isso tudo. Ele conseguiu alcançar a grandiosidade da simplicidade, em cada detalhe, como um retrato preto e branco. Ele simplesmente pensava diferente. Recentemente escrevi um texto aqui no blog que dizia "quando tudo é comparado a nada...". Eu estive pensando. Acho que era assim que ele criava as coisas e recriava suas ideias. Enquanto nós comparamos um modelo de sofá com outro e escolhemos o que mais nos agrada, ele optava em só comprar móveis que realmente lhe agradassem e por isso sua casa, quando jovem, era praticamente vazia.




{"A intuição é uma arma muito poderosa, mais potente do que o intelecto, na minha opinião. Isso teve uma grande influência sobre meu trabalho"
(...)
"Durante a maior parte de minha vida achei que deve haver algo mais na nossa existência do que aquilo que vemos". (...) "É estranho pensar que a gente acumula tanta experiência, talvez um pouco de sabedoria, e tudo simplesmente desaparece. Por isso quero realmente acreditar que alguma coisa sobrevive, que talvez nossa consciência perdure."
Ficou em silêncio por algum tempo. "Mas por outro lado, talvez seja apenas como um botão de liga-desliga", prosseguiu. "Clique! E a gente já era."
Fez outra pausa e sorriu de leve. "Talvez seja por isso que eu jamais gostei de colocar botões de liga-desliga nos aparelhos da Apple."}
- Steve Jobs 
por Walter Isaacson


-

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012



Eu preciso muito deixar acontecer o momento da renovação, trocar de pele, mudar de cor.
Tenho sentido necessidades do novo, não importa o quê, mais que seja novo, nem que sejam
os problemas. Preciso deixar a casa vazia para receber a nova mobília. Fazer a faxina da mente,
da alma, do corpo e do coração. Demolir as ruínas e construir qualquer coisa nova, quem sabe um castelo.
- Caio F. Abreu

domingo, 5 de fevereiro de 2012

Como uma onda no mar


"Não adianta fugir
Nem mentir
Pra si mesmo agora
Há tanta vida lá fora
Aqui dentro sempre
Como uma onda no mar"
(Lulu Santos)


...E, por hoje, mais nada a declarar.