segunda-feira, 10 de setembro de 2012

O domingo e eu. Limpei o domingo. Aspirador de pó, pano de chão e tudo que se tem direito. Levei o domingo pra ver o sol. Tava bonito lá fora. Andei sem hora pra voltar, sem lugar pra visitar, sem gente pra cumprimentar. Decidi ver um filme. Não estava no clima de "Os Mercenários 2". Queria algo que conversasse comigo, então escolhi um filme francês chamado "Intocáveis". Comprei meu ingresso e ainda tinha 1 hora e meia de bobeira. Fui na livraria, peguei um livro da Martha Medeiros, que sempre quero e nunca compro, da prateleira. Fui atrás de um canto vazio. Gente dormindo nas poltronas ou falando no celular, me impedindo de sentar. Fiz o mesmo percurso novamente e arrumei um lugar. Comecei a ler "Ser feliz por nada". Fiquei morrendo de vontade de escrever e me dei conta de que eu deveria sair sempre com um caderninho e uma caneta na bolsa. Ou não. Me perdi ali e a hora passou. Voltei pro cinema. Sentei num lugar bom. A sala era maior e estava mais cheia do que eu esperava (porque na verdade eu não estava esperando nada além de sentar ali e assistir a um filme). Por certo momento parei para pensar o motivo que levaram as pessoas a estarem fazendo a mesma coisa que eu. A verdade é que olharmos para o lado, descobrimos que as pessoas fazem as mesmas coisas de modos diferentes. Legal isso. Mas legal mesmo foi o filme que me fez rir sozinha, me fez gostar de estar ali. Sim, ainda sou eu comigo mesma. E eu estava precisando dessa certeza de que ainda gosto disso. Eu e minhas escolhas, eu e meus desejos, eu e minhas risadas. Continuo adorando, até porque é bom estar em dia consigo mesma. Não importa onde você esteja, quando, com quem, no final das contas é você e você. O domingo, eu e eu mesma. Ai vem o filme, vem o cara rico que só mexe a cabeça, que depende de todo mundo pra tudo e pergunta pro cara que vai lá só pra ter uma declaração pra continuar recebendo seguro desemprego. "-Não se incomoda de receber ajuda o tempo todo? / -Não. E você?". O senso de humor muda a realidade. E mais uma vez... as pessoas fazem as mesmas coisas - de modos diferentes. Arrisco até dizer que elas sentem as mesmas coisas - de modos diferentes. O que, na verdade muda, é a maneira com que lidamos com as coisas. A aceitação da realidade. Das nossas escolhas. Você pode olhar as coisas de um modo simples ou achar tudo tão complicado. Eu escolho o simples que geralmente é a única verdade. E a escolha é minha, o simples é meu, o que vem com isso tudo também é meu. Eu, minha. O domingo, meu.


3 comentários:

Danilo disse...

!..adorei o texto, e como bem sabe, temos esta caracteristica que nos reservar um tempo só para nós mesmos, mas ver o quanto ainda somos nós mesmos, ainda bem que você ainda continua com isso, assim como eu tb continuo, faz a gente se sentir vivos, gostei do resumo do filme, e recomendo você a assistir "Meu Pé Esquerdo" você vai amar..! [continue escrevendo que eu continuo lendo]

Para cabeças em chamas, mais combustível. disse...

Eita, senhorita Camilo. Sua visão para com a vida e o mundo me emociona a cada instante.

Afinal, sei que o melhor mesmo é como disse: "Escolho o simples que geralmente é a única verdade." Perfeito!

Cláudia Pattricia disse...

Emocionante! :) Adorei o texto e o filme ficou cá o bichinho, assim que o vir partilho :D