segunda-feira, 29 de outubro de 2012
Acho que uma das piores sensações do mundo é começar a achar que ser o que somos não é o suficiente e começar a nos violentar psicologicamente a fim de parecer mais do que somos.
Aconteceu comigo. Foi semana passada. Sai de um lugar achando que não tinha cumprido meu papel, mas tinha. Sai de lá achando que não tinha sido perfeita, mas eu nunca serei perfeita. Sai de lá achando que deveria ter sido uma super mulher, mas eu sou apenas humana.
Ai vem a vida e nos mostra que precisamos ser apenas nós mesmos.
segunda-feira, 15 de outubro de 2012
Uma vida para chamar de sua.
Levo uma vida normal. Não faço novela, não saio em revistas, nem dou declarações bombásticas. Não acho que tenha muita gente acompanhando minha vida. Escrevo esse post simplesmente porque prezo por um mundo onde as pessoas se superem, sigam em frente, com próprias novidades e uma vida para chamar de sua.
O tempo passa muito rápido para vivermos vidas que não são nossas e das quais não fazemos mais parte.
Quem nunca bisbilhotou a vida alheia que atire a primeira pedra. Não sejamos hipócritas, mas também não sejamos doentes. É saudável ver fotos dos amigos, da família, da festinha que rolou no fim de semana. Afinal, está ali na timeline, não é mesmo? Uma espiadinha, como diria Pedro Bial, não faz mal a ninguém. Mas, sinceramente, não entendo essas pessoas que perdem minutos ou, quem sabe, horas do próprio dia procurando (procurando mesmo! Vai lá, digita nome, clica no link, vê conversas inteiras, blá blá blá...) por uma novidade alheia, só para traçar um plano de suposições e jogar uma praguinha. Isso não é sacanagem e uma puta falta do que fazer? Que tal transferir toda essa curiosidade para um aprendizado novo? Que tal gostar mais de si mesmo(a) e dar mais importância para a própria vida? Enfim, são só conselhos...
Meses atrás, uma pessoa teve a ousadia de dizer que eu não estava tão feliz, afinal, ele acompanhava constantemente meu blog e tinha chegado a essa conclusão. Surpresa! Eu estava (e continuo) numa fase super feliz da minha vida, tão de bem comigo mesma que expor isso ou não, não faria diferença alguma. Afinal, as pessoas que realmente me importam e que se importam comigo estão ao meu lado e não presas numa página online.
Já a pessoa que me acompanhava tanto pelo blog quanto pelas redes sociais acabou se entregando nessa suposição fracassada. Estava ali, implorando por uma atençãozinha, tentando fazer parte de algo do qual não cabia mais, esperando que eu fosse dar uma significância para aquilo tanto quanto ele dava, pedindo para que eu olhasse a vida dele tanto quanto ele olhava a minha (ou achava que olhava...). Se ele voltasse a atenção dele para si mesmo, descobriria que estava sendo "meio" patético (Sim, se todos os stalkers voltassem a atenção para as próprias vidas, ficariam assustados e se perguntando: "O que estou ganhando com isso?").
Já a pessoa que me acompanhava tanto pelo blog quanto pelas redes sociais acabou se entregando nessa suposição fracassada. Estava ali, implorando por uma atençãozinha, tentando fazer parte de algo do qual não cabia mais, esperando que eu fosse dar uma significância para aquilo tanto quanto ele dava, pedindo para que eu olhasse a vida dele tanto quanto ele olhava a minha (ou achava que olhava...). Se ele voltasse a atenção dele para si mesmo, descobriria que estava sendo "meio" patético (Sim, se todos os stalkers voltassem a atenção para as próprias vidas, ficariam assustados e se perguntando: "O que estou ganhando com isso?").
"Vá.
Fale mal do mundo enquanto eu faço versos.
Investigue a vida alheia. Faça calúnias.
Invente histórias em que você não está.
Vá!
Mas vá logo!
O que te espera de si? Flores, perdão...
Ou um sentimento barato pra se enfeitar?
Vá.
Fale mal de mim enquanto eu faço versos.
Queixe-se da vida. Culpe o outro. Beba algum veneno forte.
Engula uma verdade sem rir. Insulte alguém feliz.
Meu coração tão leve - daqui - te sente:
Tanta falta de amor por si mesmo, porquê?"
(Fernanda Mello)
Levo uma vida normal. Não faço novela, não saio em revistas, nem dou declarações bombásticas. Não acho que tenha muita gente acompanhando minha vida. Escrevo esse post simplesmente porque prezo por um mundo onde as pessoas se superem, sigam em frente, com próprias novidades e uma vida para chamar de sua.
O tempo passa muito rápido para vivermos vidas que não são nossas e das quais não fazemos mais parte.
Por um mundo onde as pessoas se valorizem mais!
terça-feira, 9 de outubro de 2012
Dia de SER grande!
Dia das crianças está ai. Viva o feriado na agenda (mãe, já tá chegando?) e viva o doce, o simples, o presente e presentes, o brilho nos olhos, a surpresa, as risadas gostosas, um querer sem fim, a falta de preocupação, a falta de classificação, a capacidade de descobertas, de se encantar e celebrar sem medo.
Vem cá. Vou te contar um segredo: Quem não sabe ser criança, não cresce, sabia? E tem mais... A gente cresce e continua aprendendo a ser criança, porque criança não sabe ser ninguém além de si mesma.
E se formos nos dar um presente nesse dia 12, que seja um pouco mais de presente, no sentido temporal do agora. Afinal de contas, criança não vive em outro lugar a não ser no agora. Isso faz com que cada encontro, cada descoberta, cada novidade tenha uma importância muito grande e única, porque tudo que existe é agora. Exercer a criança que existe em nós, é exercer nosso olhar mais simples e sincero diante das coisas. É coragem de se reinventar sem abandonar quem realmente você é.
Vem cá. Me responde: O que te faz feliz? Se você pensou em algo parecido com um abraço, um sorvete, bolhas de sabão, andar descalço... Parabéns! Você ganhou uma estrelinha no caderno e o certificado de que possui sorte na vida.
"Um adulto infantilizado? Não, isso é patético.
Na verdade, é essa capacidade de olhar o cotidiano e se encantar"
(Wellington Nogueira)
Na verdade, é essa capacidade de olhar o cotidiano e se encantar"
(Wellington Nogueira)
*
terça-feira, 2 de outubro de 2012
Nunca subestime o poder do "Eu gostei disso!"
Ri quando assisti ao vídeo abaixo do John Mayer falando sobre relacionamentos amorosos. Ri porque achei exagerado e ri porque achei que aquele exagero faz um pouco de sentido... Então resolvi escrever por aqui.
É aquela velha história de que tudo que é demais, sobra. Ditados populares não existem por acaso. Mas gostaria de abordar uma diferença que acho importante. O que difere o demais do muito.
Demais realmente sobra. Sobra porque incomoda, suga, invade, não cabe, assusta. Agora, muito é bom. É algo a mais (não demais). É um alívio perceber que o que você sente não é aquela coisa sem graça, morna, mediana, que não faz diferença nenhuma, porque muito é aquilo que preenche, completa.
Na teoria distinguimos bem. Okay. Até John Mayer é bom na teoria. Na prática, pode ser um pouco mais difícil. Somos humanos. Isso que nos faz tão atraentes. Pode ser que estejamos bobos, encantados, empolgados que simplesmente, por algum milésimo de segundo, achamos que “muito” e “demais” são a mesma coisa e saímos correndo por ai, atropelando quem está na nossa frente e nos atropelando principalmente.
Por isso, gosto do que o John disse no final: “Nunca subestime o poder do ‘Eu gostei disso!’”.
É sempre bom lembrar da importância de gostar das coisas como elas são. Bom olhar pra dentro e perceber a diferença daquilo que realmente gostamos ou que queremos gostar. Bom saber que isso realmente faz a diferença.
Não subestimar o poder de "Eu gostei disso!" ou "Eu gosto disso" é o mesmo que fazer questão de ser sincero consigo mesmo desde o início, o que já é um bom começo...
Quanto a música do vídeo acima, eu gosto, mas prefiro essa do vídeo abaixo...
Acho que combina mais com o texto ;)
"Amor é um verbo
Não é uma coisa
Não é algo que você possui
(...) Amor é um verbo
Amor não é uma coisa
Amor é um verbo"
*
terça-feira, 25 de setembro de 2012
A paixão (d)o clown ...e a gratidão.
Para quem não sabe Wellington Nogueira (do qual eu tenho uma admiração enoorrrrme e tive o a honra de dizer isso a ele pessoalmente) foi o responsável por trazer o projeto onde artista especialmente treinados levam alegria a crianças internadas dando surgimento ao Doutores da Alegria.
“Existem muitos modelos na sua
frente, mas qual é aquele que é o seu?
E, ás vezes, o seu modelo é diferente de tudo que tem ai e você tem que criar um novo.
Então, quando eu pensei dessa forma, eu fiquei a vontade pra meter as caras,
errar e aprender com a experiência.”
E, ás vezes, o seu modelo é diferente de tudo que tem ai e você tem que criar um novo.
Então, quando eu pensei dessa forma, eu fiquei a vontade pra meter as caras,
errar e aprender com a experiência.”
(Wellington Nogueira)
Ao longo da vida nos apaixonamos
por várias coisas ou pessoas. Tudo nos transforma em algum aspecto. Basta estar
aberto para simplesmente estar ali, naquele momento, vivendo aquilo, aprendendo
com aquilo e compartilhando a si mesmo. Ao longo da vida, amadurecemos com
nossas paixões.
Olhando fotos antigas percebi o quando
me modifiquei devido à várias circustâncias e escolhas. A dança pela qual me apaixonei, a
terapia que ajudou no processo de ter paixão por mim mesma, o intercâmbio que
fez com que eu me apaixonasse pelos momentos, os lugares dos quais passei, as
pessoas das quais conheci... Foi um processo natural que hoje me faz perceber
que não só minha imagem mudou, mas também meu olhar para o meu mundo e para o
mundo lá fora.
No começo desse ano, eu resolvi
abrir os braços para uma nova paixão que fez uma diferença enorme em mim e ainda
faz: o mundo do clown (ou palhaço, enfim, chame como quiser). Eu resolvi fazer
um curso chamado “Um clown dentro de mim” do qual já escrevi bastante aqui no
blog, mas que hoje me trouxe uma sensação que eu não consigo explicar muito bem.
É quase saudade, mas não é, porque tudo aquilo ainda está dentro de mim, que me desperta vários sentimentos, me emociona e alimenta meu encantamento pela vida.
Muitas vezes vestimos máscaras
imaginárias para lidar com alguma situação ou simplesmente para se proteger do
mundo lá fora (ou do mundo de dentro), mas o palhaço coloca uma máscara para se
expor. Você pode pesquisar os diversos caminhos que o clown pode tomar, pode
assistir à milhares de vídeos. Seja Chaplin, Mr. Bean, Avner, Doutores da
Alegria, Jogando no Quintal, palhaço de picadeiro... Todos palhaços, todos inteiros,
todos imperfeitos de TÃO humanos. É isso que me encanta no palhaço, essa
coragem de ser TÃO humano. O palhaço é isso... É a aceitação do SER humano a partir de si mesmo.
O palhaço é “aquele cara” que
brinca o tempo todo com a tragédia. É lindo isso, é dolorido, extremo. Exige
doçura, inocência, 100% de entrega no presente e generosidade. Ta aí... Sou
grata pelo clown ter me ensinado entre tantas coisas, o que é generosidade.
Hoje acordei pensando nisso tudo...
Ps: Recomendo o documentário dos Doutores da Alegria (vídeo abaixo) para quem quer entender um pouco mais da essência do palhaço.
Para quem não sabe Wellington Nogueira (do qual eu tenho uma admiração enoorrrrme e tive o a honra de dizer isso a ele pessoalmente) foi o responsável por trazer o projeto onde artista especialmente treinados levam alegria a crianças internadas dando surgimento ao Doutores da Alegria.
“A gente não está acostumado a
pensar em alegria como um direito. A gente não está acostumado a pensar em
alegria como algo que a gente cultiva. Como algo que é importante na vida da
gente. E não é aquela alegria de ficar sorrindo, rindo o tempo todo. Muito pelo
contrário. É a alegria pelo fato de você estar vivo. E de você estar lutando.
Você ter desafios... É quando você sai da sua zona de conforto pra tornar
melhor uma situação para o outro. Para aquela criança, pra família, pro teu
entorno, pra tua comunidade... Parece que você está se desdobrando pra fazer
algo por alguém, mas na verdade, você ta crescendo, você está se tornando mais
potente e você está mais em contato com o teu potencial e isso é uma descoberta
tão bonita!” (Wellington Nogueira)
E ao final desse post eu descobri qual era aquela sensação
que eu não conseguia explicar e que não era saudade.
É gratidão.
beijos generosos, humanos e inteiros!
quarta-feira, 19 de setembro de 2012
Vinícius de Moraes que me perdoe,
mas
beleza é sim fundamental!
Hoje venho aqui para concordar
"acidentalmente" com Vinícius de Moraes quando ele disse que beleza é
fundamental. Sinceramente, não creio que ele soubesse o verdadeiro valor disso
quando pediu que as feias o perdoassem. Ele teve nove casamentos que
provavelmente começaram pela beleza errada. Vinícius de Moraes que me perdoe,
mas beleza é sim fundamental.
Não adianta ter altura de um metro e
tanto, uma definição que não consegue ultrapassar o limite dos músculos, uma
cara que parece estar sempre maquiada. Não adianta passar a vida inteira
malhando, usando a última moda, passando cremes que dizem combater o
envelhecimento e o ressecamento dos cabelos. Isso tudo só vai servir para quando
a gente quiser se exibir, impressionar,
se olhar no espelho e comprar certa admiração. Mas beleza mesmo... Ah a beleza
é outra coisa.
A beleza é aquele abraço que aperta,
acolhe ou balança. É quando escapa um sorriso pelos olhos. É o gesto livre de
qualquer vaidade. É aquele breve momento do silêncio da boca. É quando o corpo
dança, fala... É a falta de ensaio. É rir da falta de jeito. É admitir que não se é perfeito. Beleza é a vista de uma janela aberta. É o
que os olhos vêem quando se fecham. É contar histórias, contar as horas e depois, não contar hora
nenhuma.
Ouso dizer que o decote, a saia curta, o
batom ou o all star, o jeans e o blazer apenas nos distraem. O que nos atrai
mesmo é a beleza. Basta olhar ao redor. Quanta gente linda conquista você todos
os dias sem a menor pretenção de fazer isso? Sejam eles amigos, pais, filhos, irmãos
ou aquela pessoa que invade seu peito de alegria e te faz sentir saudade a
qualquer hora da tarde de um dia qualquer. Porque a beleza é compartilhar aqueles pedacinhos tão individuais sem perceber. Sem querer ser mais ou menos. É desprendida do
querer ser belo. A beleza não se tem, se é.
"... E mostre o seu rosto para a manhã
Pois qualquer dia desses
Você vai nascer e crescer
E isso acontece sem você prever"
segunda-feira, 10 de setembro de 2012
O domingo e eu. Limpei o domingo. Aspirador de pó, pano de chão e tudo que se tem direito. Levei o domingo pra ver o sol. Tava bonito lá fora. Andei sem hora pra voltar, sem lugar pra visitar, sem gente pra cumprimentar. Decidi ver um filme. Não estava no clima de "Os Mercenários 2". Queria algo que conversasse comigo, então escolhi um filme francês chamado "Intocáveis". Comprei meu ingresso e ainda tinha 1 hora e meia de bobeira. Fui na livraria, peguei um livro da Martha Medeiros, que sempre quero e nunca compro, da prateleira. Fui atrás de um canto vazio. Gente dormindo nas poltronas ou falando no celular, me impedindo de sentar. Fiz o mesmo percurso novamente e arrumei um lugar. Comecei a ler "Ser feliz por nada". Fiquei morrendo de vontade de escrever e me dei conta de que eu deveria sair sempre com um caderninho e uma caneta na bolsa. Ou não. Me perdi ali e a hora passou. Voltei pro cinema. Sentei num lugar bom. A sala era maior e estava mais cheia do que eu esperava (porque na verdade eu não estava esperando nada além de sentar ali e assistir a um filme). Por certo momento parei para pensar o motivo que levaram as pessoas a estarem fazendo a mesma coisa que eu. A verdade é que olharmos para o lado, descobrimos que as pessoas fazem as mesmas coisas de modos diferentes. Legal isso. Mas legal mesmo foi o filme que me fez rir sozinha, me fez gostar de estar ali. Sim, ainda sou eu comigo mesma. E eu estava precisando dessa certeza de que ainda gosto disso. Eu e minhas escolhas, eu e meus desejos, eu e minhas risadas. Continuo adorando, até porque é bom estar em dia consigo mesma. Não importa onde você esteja, quando, com quem, no final das contas é você e você. O domingo, eu e eu mesma. Ai vem o filme, vem o cara rico que só mexe a cabeça, que depende de todo mundo pra tudo e pergunta pro cara que vai lá só pra ter uma declaração pra continuar recebendo seguro desemprego. "-Não se incomoda de receber ajuda o tempo todo? / -Não. E você?". O senso de humor muda a realidade. E mais uma vez... as pessoas fazem as mesmas coisas - de modos diferentes. Arrisco até dizer que elas sentem as mesmas coisas - de modos diferentes. O que, na verdade muda, é a maneira com que lidamos com as coisas. A aceitação da realidade. Das nossas escolhas. Você pode olhar as coisas de um modo simples ou achar tudo tão complicado. Eu escolho o simples que geralmente é a única verdade. E a escolha é minha, o simples é meu, o que vem com isso tudo também é meu. Eu, minha. O domingo, meu.
terça-feira, 4 de setembro de 2012
Não alcançamos a liberdade buscando a liberdade, mas sim a verdade.
A liberdade não é um fim, mas uma consequência."
- Léon Tolstoi
A liberdade não é um fim, mas uma consequência."
- Léon Tolstoi
Seja lá o que for...
Liberdade nada mais é que sentir-se livre independente de um status, de onde você vive, do que você faz nesse exato momento. Difícil definir o que é ser livre. Ás vezes tenho a impressão de que as pessoas idealizam a liberdade tanto quando idealizam o amor e outras coisas. Vai de cada um. Falo por mim nesse texto. Minha liberdade é a aceitação das minhas escolhas, sejam elas arriscadas ou não, e a apreciação das mesmas como quem aprecia uma taça de vinho. Aceitação de quem realmente sou. Vista de todos os ângulos. Minha liberdade não se prende a nenhum passado ou em grandes planos futuros. Aqui, há, ar, respiro agora. Tenho a impressão que só possível fazer parte do mundo lá fora quando há liberdade por dentro. Aqui há. Um ar que é livre de devoções e demônios. Não tem hora, lógica, cálculos e rimas. E a liberdade não tem nem mesmo a obrigação de ser livre. Ela pode fazer o que quiser contanto que seja simplesmente a coisa mais sincera a se fazer. Minha liberdade tem asas e um céu do qual eu não consigo enxergar o final, mas eu não me importo se eu puder voar. Minha liberdade é leve, tira um milhão de perguntas do meu corpo, carrega minha alma no colo, me faz dormir em paz.
quarta-feira, 29 de agosto de 2012
Humanos ou dançarinos?
Escuto The Killers e começo a conversar com uma das músicas. Ele diz ficar nervoso quando vê uma porta aberta. Eu sei que ele simplesmente é humano. Eu entendo. Pede para que eu feche meus olhos e limpe meu coração. Eu sei que ele está dançando. Eu tento. O refrão me pergunta "Somos humanos? Ou somos dançarinos?" Eu fico esperando uma resposta até o final da música, mas ela só diz que os sinais são vitais, que as mãos estão geladas. E os versos dizem que meu sistema ficará bem quando eu sonhar essa noite, me fazem outra pergunta e eu respondo que sim, que meu coração ainda bate. Você consegue escutar o ritmo? Podemos ser humanos e dançarinos ao mesmo tempo? Agora sou eu que canto perguntas ao vento. Mas resposta está nos versos que nunca existiram na canção. Eu não sei ler cifras e partituras, não faço ideia de como se compõe uma música, mesmo assim eu quero tentar, eu quero reescrever o resto da canção. Então, eu me transformo em um ritmo que me faça dançar. Eu estou tão leve, mas eu me sinto tão humana... Eu sou a resposta e, ás vezes, não faço ideia do que isso significa.
sábado, 25 de agosto de 2012
Uma madrugada cheia de culpa.
Acordo quase 4 da manhã de uma madrugada de sábado. Briga feia no apartamento do lado. Vizinhos que eu nunca vi, mas que agora, sei mais deles, do que eles sabem de mim. Ela é a Eliana e ele tenho quase certeza que ele é Felipe. Acordei com o choro desesperador da Eliana que pedia perdão enquanto chorava e pedia perdão de novo enquanto continuava chorando, sem deixar o cara falar. Talvez por medo da resposta. Pelo visto o perdão tinha que ser muito grande. Ela dizia "Me perdoa, me perdoa..." sem pausa, enquanto ele dizia sem que ela ouvisse "Eliana, olha pra mim, olha nos meus olhos. Se acalma e olha pra mim!" Ás vezes ele a chamava de Eliana, ás vezes de Eli e poucas vezes deixava escapar amor, mesmo num tom de voz duro. Isso se repetiu durante horas, sem exagero. Ela implorava perdão e nem conseguia olhar pra cara dele. Ela deve ter feita alguma merda das bravas. Era um perdão atrás do outro, um soluço atrás do outro, um choro que não acabava nunca. Cheguei a ficar com pena, eu queria bater na porta do apartamento deles dizer que eu a perdoava, mas que ela precisaria fazer isso primeiro. Depois eu iria olhar nos olhos dele e dizer: "Pronto, já tem alguém olhando nos seus olhos. Agora vamos todos dormir?". Claro que eu não fiz isso e como não sei o que realmente aconteceu para tudo isso, eu me livrei da pena. Afinal, cada um com seus problemas. Ele ameaçou ir embora, ela começou implorar, a chorar mais alto feito criança birrenta. Ele voltou. Logo depois, teve um momento em que ela pedia para ele soltá-la, dizia que estava machucando. Fiquei apreensiva, mas sinceramente acho que não era nada demais. Acho que ela estava muito louca e ele só queria acalmá-la antes de qualquer coisa. Levantei, bebi água na esperança de que quando voltasse, eles já teriam cansado dessa história toda. Eu estava cansada. Pensei em ir dormir na sala, mas a cama já estava quentinha. Voltei pra lá. Tentei tampar os ouvidos com o edredom, me senti sufocada, destampei. Ela continuou pedindo perdão e eu fui cochilando entre um pedido e outro. As 7 da manhã tudo era silêncio. 7h40 o despertador toca. Ainda tenho que trabalhar.
quinta-feira, 23 de agosto de 2012
Por um mundo com mais gente interessante.
Nelson Rodrigues completaria 100 anos hoje. No facebook, o GNT homenageou a data com uma frase do escritor: "Ser bonita não interessa, seja interessante". Coincidentemente queria escrever algo sobre pessoas interessantes por aqui. Essa semana disse que não acho o Johnny Deep bonito, mas de tão interessante ele se torna lindo. Eu olho pra ele e penso "Caramba Johnny Deep!". Me perguntaram como eu descobri que ele era interessante e foi uma boa pergunta já que a gente não se conhece pessoalmente. Respondi que foi em uma entrevista. Não lembro o que ele disse (ainda escreverei algo sobre esse meu não lembrar das coisas, datas e idade), acho que ele chegou a dizer que fala várias línguas, que aprendeu sozinho, que nunca dançou na vida num senso de ironia que eu adorei, algo assim, só sei que eu pensei "Caramba Johnny Deep!". Mas não é só o Sr. Deep que surpreende a gente. Gente interessante chega a ser um perigo. Parece inofensivo e quando você vê, você está lá com os olhos vidrados e o ouvido atento. Gente interessante te leva e você nem vê. Quer me entediar? Comece com papinhos de academia. Te deixo falando sozinho e saio andando. Quer minha atenção? Seja você e de preferência sem medo. Não adianta mostrar suas habilidades em ser ator, tocar guitarra, contar piadas, seja lá o que você faça de bom. Eu gosto mesmo é dos bastidores, do making of, dos hobbies e manias, da falta de glamour. Se você consegue ser interessante sendo tão "sem graça", aí não tem erro, ou tem vários que pouco importam. Aí você se torna admiravelmente perigoso e perigosamente interessante.
Nelson Rodrigues completaria 100 anos hoje. No facebook, o GNT homenageou a data com uma frase do escritor: "Ser bonita não interessa, seja interessante". Coincidentemente queria escrever algo sobre pessoas interessantes por aqui. Essa semana disse que não acho o Johnny Deep bonito, mas de tão interessante ele se torna lindo. Eu olho pra ele e penso "Caramba Johnny Deep!". Me perguntaram como eu descobri que ele era interessante e foi uma boa pergunta já que a gente não se conhece pessoalmente. Respondi que foi em uma entrevista. Não lembro o que ele disse (ainda escreverei algo sobre esse meu não lembrar das coisas, datas e idade), acho que ele chegou a dizer que fala várias línguas, que aprendeu sozinho, que nunca dançou na vida num senso de ironia que eu adorei, algo assim, só sei que eu pensei "Caramba Johnny Deep!". Mas não é só o Sr. Deep que surpreende a gente. Gente interessante chega a ser um perigo. Parece inofensivo e quando você vê, você está lá com os olhos vidrados e o ouvido atento. Gente interessante te leva e você nem vê. Quer me entediar? Comece com papinhos de academia. Te deixo falando sozinho e saio andando. Quer minha atenção? Seja você e de preferência sem medo. Não adianta mostrar suas habilidades em ser ator, tocar guitarra, contar piadas, seja lá o que você faça de bom. Eu gosto mesmo é dos bastidores, do making of, dos hobbies e manias, da falta de glamour. Se você consegue ser interessante sendo tão "sem graça", aí não tem erro, ou tem vários que pouco importam. Aí você se torna admiravelmente perigoso e perigosamente interessante.
Beijo pro Nelson Rodrigues, pro Johnny Deep
e pra todas as pessoas interessantes desse mundo!
e pra todas as pessoas interessantes desse mundo!
quarta-feira, 22 de agosto de 2012
A resposta.
Acho que esperar uma resposta é pior que esperar dinheiro de alguém que te deve. É chato. Pertuba. Desafina. Faz com que meu corpo todo fique mole e eu coloque a culpa no calor, no ar seco. Mas é tudo mentira, é tudo culpa da resposta que não chega. De manhã, leio partes de um livro, mas entre uma palavra e outra, fico esperando uma resposta. Não consigo entender nada, não consigo lembrar de nada. Olho para o relógio e ele ri da minha cara. Olho para a caixa de entrada do meu email e quero que as promoções do Groupon se danem. Os aniversariantes da semana no Facebook, que se danem também. Eu não quero um fim de semana lá não sei onde pela metade do preço, não quero saber o preço de folhetos em couchê 170g com verniz fosco, não quero ir em festa estranha com gente esquisita. Só quero uma resposta. Mentira de novo. Eu não quero qualquer resposta. Eu quero a minha resposta com palavras de bom agrado, como se o Dalai Lama me ligasse. Porque se ele me ligasse, sei que ele só diria coisas boas. Tudo vem, tudo vai, menos a resposta. Não me contento. Vou atrás dela. Procuro nas lembranças recentes, na intuição... Não a encontro. Danada, tá se escondendo. Mas eu acho, ahhh se acho. Finjo ser a pessoa mais normal do mundo e digito palavras medidas. Não sei se digito “Abraços”, “Atenciosamente”, “Grata desde já” ou qualquer outra coisa ao final. Me decido depois de olhar 10 segundos pra tela. Tento os três jeitos e não sei te dizer qual eu escolhi, eu não lembro. Só lembro que quero a resposta, que na verdade, se desbodram em duas. Sim, a agonia duplica, são duas respostas. Depois a agonia se divide de novo, porque eu acabo de receber a resposta da resposta. Uma delas vai ficar pra amanhã. E eu que achava que amanhã iria estar livre de novo, que iria tirar o ponto de interrogação das costas. E a outra resposta? Não sei, ainda é mais misteriosa que a idade da Glória Maria. Fico aqui brincando de adivinha enquanto ela não vem, num mantra constante que canta baixinho "Hoje eu só quero que o dia termine muito bem!".
terça-feira, 21 de agosto de 2012
O lar nosso de cada dia.
"A Transformação pessoal requer substituição de velhos hábitos por novos."
(W.A.Peterson)
Mudei. Dessa vez não foi de estratégia, de escolha, de comportamento. Continuo a mesma. Um pouco diferente, porém com a mesma essência (como aquele verso bonito do Teatro Mágico: "Ser essência e muito mais"). Mudei de uma casa para um apartamento. Mesmo que você diga que não tem varanda, que a cozinha é pequena e a lavanderia menor ainda, eu não mudarei minha opinião de que aquele cantinho no oitavo andar é, no mínimo, aconchegante.
Deixei algumas coisas para trás. Outras coisas nunca deixarei, onde quer que eu esteja. E aqui estou, vivendo outras coisas, outros hábitos e respirando novos ares. Hoje estava andando pela avenida Paulista e tive uma singela percepção de como alguns lugares modificam a gente.
O dia amanheceu bonito apesar do ar seco; Ousei um batom vermelho pra sair de casa; Dei bom dia para o motorista do ônibus; Quando cheguei ao trabalho ouvi um "nossa... você veio toda arrumada, vai sair hoje?"; Respondi: "Sabe o que é? A Av. Paulista é toda bonita, com gente bonita pra lá e pra cá, dá vontade de se arrumar também". É por essas e outras que, ás vezes, é bom se perguntar "Por onde tenho andado? Para onde quero ir?".
A questão não é o apartamento ou a avenida, mas, na verdade, o que somos onde estamos. Não tem jeito, nosso lar acaba nos refletindo (vice-versa) e reflete nas coisas mais simples como num ímã de geladeira, num porta-retrato, nos livros da prateleira. Mas lar é uma coisa subjetiva. Você pode morar trinta anos em uma mansão e nunca ter um lar. Pode viajar o mundo com uma mochila nas costas e jurar de pés juntos que se sentiu em casa, fez isso como se tivesse assistindo um filme esparramado no sofá.
Há uma frase do Buda da qual gosto bastante: "Onde quer que viva, esse é teu templo, se tratar como o tal". Nosso templo, nosso lar, seja lá como você queira chamar é tão importante quanto quem somos. Um complemento, eu diria. No nosso templo, nós presamos por aquilo em que acreditamos, cuidamos de nós mesmos, expandimos a paz que nasce por dentro, acreditamos em coisas boas e exercemos gentileza sem pensar na obrigação de ser gentil. Pode parecer um pensamento utópico, mas quando se tem a consciência de que a perfeição é uma tremenda bobagem, tudo faz mais sentido.
Por isso, eu digo: Eu mudei. Meu lar continua o mesmo. Um pouco diferente, porém com a mesma essência.
sexta-feira, 17 de agosto de 2012
Vou para casa. Arrumar caixas e malas.
Entre um detalhe e outro, vou me reinventar.
Permito-me. Desdobro-me. Ajeito-me.
Amanhã já está perto. Sei lá eu do resto.
To feliz. Empolgada.
Dá um certo orgulho de mim mesma
dizer que vai ser tudo novo
ao invés de tudo de novo.
Como uma criança que descobre as cores
Como se as cores iluminassem novos lugares
- dentro de mim.
Como uma criança que descobre as cores
Como se as cores iluminassem novos lugares
- dentro de mim.
"Eu aumento o volume da música, coloco meus discos para tocar
Debaixo dos escombros soa uma música rebelde
Não quero ver outra geração desistir
Prefiro ser uma vírgula do que um ponto final
Talvez eu esteja no escuro, talvez eu esteja de joelhos
Talvez eu seja a lacuna entre dois trapézios
Mas meu coração está batendo e o meu pulso começa
Catedrais no meu coração"
(Every Teardrop is a Waterfall)
quarta-feira, 15 de agosto de 2012
Sim.
Estou assim essa semana: inquietude total (tem como não ficar?). Tenho vontade de dançar. Escuto a mesma música cinco vezes. Minha paciência não está das melhores. Espelho, espelho meu, existe alguém mais ansiosa do que eu? Começo a escrever igual louca. Sou louca. Escrevo. Duas coisas que nunca neguei. Estava no ônibus voltando pra casa, pensando que queimar a língua comendo milho é chato (sim, eu queimei!) e entre uma crônica e outra, pensando sobre mim, minhas partes, meu inteiro. Não me pergunte a que conclusão cheguei. Sei onde começo, mas nunca sei onde vou terminar. Como se algum lugar do meu corpo abrigasse reticências ao invés do ponto final.
...
Tenho hora para algumas coisas (até hippies devem ter horário pra alguma coisa). Mas não tenho hora certa pra decidir. Não tenho hora certa pra jantar, tomar banho, ver TV, escrever. Faço tudo, mas não me prendo à ordem. Sou assim, meio despadronizada, meio desajeitada, inteira. Vivo fugindo do tédio. Tenho profunda admiração pelo imprevisível. Coisas que simplesmente acontecem sem antes me fazer pirar, pensar, fazer cálculos que eu nem sei fazer (pois é, não conte comigo quando o assunto é matemática!). Engasgo com tudo que me faz pensar muito. O imprevisível não tem tempo pra dúvidas, mesmo as inconscientes, ele é e pronto. E foi assim, em momentos sem passado nem futuro que coisas boas já aconteceram. Beijos roubados são muito melhores que os premeditados; Um plano de última hora é muito melhor que planejar uma vida inteira; Uma dose de loucura no meio do dia - ou da noite - ganha de qualquer normalidade; Um presente sem data comemorativa geralmente é muito mais emocionante que os que você ganha no seu aniversário e por ai vai. De um jeito tão simples e gostoso... Vai.
Deixar-se surpreender não é das tarefas mais fáceis. É preciso nocautear a expectativa e exercer um desapego de dentro pra fora. Assistir ao filme Yes Man com o Jim Carrey pode te ajudar. Você vai rir e se lembrar em muuuitos momentos da sua vida que dizer sim é importante e atrai coisa boa. Eu acredito. Dizer sim também é um jeito de parar de nos boicotar e até um jeito de nos conhecermos melhor (você consegue se escutar?). No mundo louco, cheio de tarefas, trânsito e gente desconfiada, o sim, por si só já é imprevisível, já é um presente para nós mesmos. E apenas o começo.
No dia primeiro de janeiro escrevi aqui nesse mesmo blog: "Nada e ao mesmo tempo, tudo. É o que nós temos agora. É legal quando fazemos coisas e não as comparamos a nada. Quando você consegue fazer algo que não seja nem melhor nem pior que nada. Talvez devêssemos enxergar as pessoas que passam por nós e os momentos que vivemos de maneira mais criativa e de um modo mais único. Comparando tudo a nada". Escrevi isso ao lembrar de uma das entrevistas do John Mayer onde ele dizia algo do tipo. Hoje repito minhas palavras e os pensamentos dele. Não quero muitas comparações, se for possível, nenhuma, para me permitir dizer sim mais vezes.
Olho para minhas reticências e pergunto:
E ai, você se aceita?
Respondo: Sim, eu aceito.
Na saúde, na loucura, no amor, no trabalho, nas palavras...
Até que a ausência do imprevisível nos separe.
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